O Que é Naturologia Clínica?

A raiz dos problemas físicos do homem está na sua atitude interna frente às situações da vida. O posicionamento interior é que determina a saúde do corpo ou desencadeia as suas doenças. O doente não é vítima inocente de alguma imperfeição da Natureza ou de uma condição insalubre. Um homem não “pega” uma doença, ele “faz” a sua doença.

Conceição Trucom[1]

1.1. Iniciando Um Estudo Sério.

 

Nenhum conhecimento que chega até a mente humana poderá perdurar se não for claramente organizado dentro de uma estrutura de desenvolvimento com fundamentos sólidos e harmoniosos. O saber que buscamos não pode ser digno de nossa atenção, se não for composto por critérios mínimos de lógica e coerência; sem seguir um padrão organizado não só perdemos a própria identidade da pesquisa, mas acabamos caindo em descrédito perante as mentes que são preparadas para analisar suas divisas. Por isto não temos tempo para gastar em questões que para nada servem.

A idéia de que a Natureza deve ser o principal elemento para a auto-cura das doenças que assolam a saúde humana, é tema que se perde na Antigüidade; e, todos sabemos que a força superior da própria Natureza que nos cerca, é um poder que se impõe pela naturalidade que a caracteriza, e pela impossibilidade universal de que possa haver qualquer outra força que possa suplantá-la.

Pessoas sérias estudam temas sérios com a finalidade de produzirem ações honradas! Peço licença para encaminhar um argumento valendo-me do pensamento semítico antigo:

 

Põe-te marcos, faze postes que te guiem; dirige a tua atenção à estrada, ao caminho pelo qual foste.[2]

 

Assim diz o Senhor: ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas.[3]

 

Uma vida sem fundamentos é uma vida sem direção e sem rumo, logo não poderá construir nada que seja positivo e duradouro. Esta idéia de que devemos produzir conhecimento com claro senso de direção, organizado e bem sistematizado está na base de toda investigação que se propõe edificar uma ciência verdadeiramente construtiva e decente. Neste trabalho pretendemos caminhar na senda dos valores e fundamentos que permeiam a Naturologia Clínica, de modo objetivo, mas, preservando a identidade e coerência de princípios que se imporão pela força da própria Natureza que os define.

 

1.2. O Que é Naturologia Clínica?

 

A expressão “naturo” significa: “que é relativo à natureza ou natural”; aquilo que está em seu estado natural ou sem alteração na Natureza.

A expressão “logia” significa “estudo”; já a expressão “sofia” significa “saber”.

A expressão “clínica” significa: “atendimento dentro de uma profilaxia específica, ou atendimento de orientação em consultório”.

Portanto, a Naturosofia significa saber naturista e a Naturologia significa estudo naturista.

É importante frisar que a Naturologia surge de uma Naturosofia. A diferença entre as duas não é apenas etimológica, mas a Naturosofia é uma sabedoria universal, ao passo que a Naturologia é um sistema metodológico (pesquisa e estudo) que se apropria desta sabedoria universal. As duas estão amalgamadas e unificadas na visão que construímos, mas são conceitualmente diferentes.

Muito se pode dizer acerca do significado da Naturologia Clínica na sociedade, partindo do profissional de saúde que domina seus princípios para o bem.

 

O verdadeiro médico é um educador. Ele reconhece sua responsabilidade, não somente para com o doente que se acha sob seu cuidado imediato, mas também para com a coletividade no meio da qual vive. Ocupa o lugar de guardião da saúde física como da moral. É seu esforço, não somente conseguir métodos corretos no tratamento dos enfermos, mas incentivar hábitos sãos de vida, e disseminar o conhecimento dos retos princípios.[4]

 

A palavra Natureza vista de um modo bem objetivo, possui dois significados que têm direta relação com nossa abordagem aqui:

 

  • Reunião de todos os seres da Criação ou do Universo; e,
  • O organismo humano, no trabalho natural de conservar ou restabelecer a saúde por si mesmo, que seria também denominado de natureza funcional orgânica ou, numa linguagem técnico-fisiológica: homeostasia.

 

Da palavra Natureza, se derivam outras duas:

 

  • Naturalidade, que tem conotação neste nosso contexto, de normalidade. E normalidade é naturalidade funcional orgânica ou homeostasia; e,
  • Naturismo, que é a filosofia e ciência médica que se ocupa ou concentra-se na questão da restauração da naturalidade funcional orgânica – é uma forma terapêutica.

 

Não devemos confundir, evidentemente, a palavra Naturismo com Primitivismo.

 

  1. O Primitivismo corresponde ao modo de vida do homem primitivo, que vive em lugares aonde a civilização ainda não chegou – a capacidade deste é muito reduzida pela falta de uma disciplina pessoal com o conhecimento naturosófico, que o levaria a uma Naturologia;
  2. O Naturismo, porém, é uma filosofia como já dissemos, mas também é uma posição interpretativa da terapêutica cabível à naturalidade da vida humana, nascida da visão cultural e educacional decorrente da vida do homem civilizado, que compreende como se pode viver um melhor padrão de vida naturalmente sadia, mesmo estando na cidade, onde a correspondência entre a enfermidade e o estilo de vida são muito elevados.

 

É importante não confundir também Naturismo com Naturalismo. O Naturalismo é um erro, segundo entendemos, de uma postura filosófica que supõe a Natureza como autora de si mesma, confundindo dois conceitos: Criador e Natureza. Por esta razão não sermos identificados Terapeutas Naturalistas!

O Naturismo em sua origem é um sistema opositor do Artificialismo, pois se propõe ser uma firme reação, conceitual e científica, contra este modelo. Devemos compreender o Artificialismo como uma tendência não ideal das pessoas que vivem nas cidades, de seguirem um estilo de vida onde o distanciamento da naturalidade funcional orgânica (homeostasia) é a tônica principal, ou seja, as pessoas preferem adotar tudo que for o menos natural possível. Se devemos beber água, elas preferem refrigerantes (coquetéis químicos); se devemos comer frutas e legumes, elas preferem comer alimentos industrializados.

O Dr. Eduardo Alfonso, grande expoente da Naturologia do século passado, declarou que Naturismo é:

 

A ciência que, opondo-se ao artificialismo, estuda as leis naturais que regem nossa existência e mediante o cumprimento das ditas leis, aspira ao aperfeiçoamento humano integral.[5] Naturismo é o sistema científico e filosófico que estuda e propõe a naturalidade em todos os atos da nossa vida.[6] Naturismo Médico é o sistema fundado por Hipócrates, que supõe a existência de uma força (natura conservatrix y medicatrix) da qual depende esta tendência do organismo para conservar a saúde e a recuperá-la quando ocorre de ser perdida.[7]

 

A palavra Vitalismo significa: ação da força vital. É um campo de estudo que para nós Naturologistas, depende da compreensão da relação que existe entre a vida e uma substância denominada trifosfato de adenosina (ATP), bem como da sua grande importância sobre a vida celular. Para nós a energia vital é trifosfato de adenosina (ATP) que está presente na força mais íntima da vida de cada uma de nossas células. Este tema será objeto de nossa cuidadosa atenção posteriormente!

É importante compreender cada palavra e seu significado neste contexto, porque as definições que dermos desde o início, influenciarão nossa compreensão mais adiante. Assim temos as palavras: naturosofia, naturologia, natureza, naturalidade, naturismo, primitivismo, artificialismo, vitalismo.

 

1.3. O Propósito da Naturologia Clínica.

 

A Naturologia Clínica tem como propósito, prevenir e curar por meio de métodos naturais os problemas de saúde da vida humana. Temos que deixar sem qualquer sombra de dúvidas que a Naturologia Clínica é a verdadeira Terapia Naturista. Única em suas definições e não encontrada em nenhum outro campo de estudo.

Uma das grandes dificuldades de nossos dias é conciliar diante da opinião pública que sistemas que são falsamente chamados de “terapias naturais” não passam de mentira ou aplicação mal feita por gente que desconhece os critérios científicos que são essenciais para que se possam denominar uma técnica qualquer como “Terapia Natural”.

 

O Naturismo, mais que um sistema terapêutico, é um sistema de vida. Aí está por que o método naturista procura averiguar com riqueza de detalhes como o paciente se alimenta, quantas refeições faz por dia, que pratos as compõem, as bebidas que ingere, detalhes sobre a mastigação e a insalivação. Também investiga o tipo de trabalho, as horas dedicadas ao repouso, diversões ou distrações, características da habitação em que vive e diversos outros detalhes que seria exaustivo enumerar. Na posse de todos esses dados, o médico naturista se inteira do modo de vida do paciente. Isso, aliado ao exame do doente, dá uma idéia cabal da afecção de que ele padece, e assim poderá ser estabelecida uma linha de tratamento eficaz, um tratamento de fundo que se dirija à própria raiz da doença. Desse modo se explica por que a medicina naturista pode curar quase todas as doenças, ainda que não todos os doentes.[8]

 

A Naturologia Clínica é uma proposta predominantemente preventiva e curativa, onde o que se busca é o equilíbrio corpóreo-psíquico-social por meio de estímulos naturais à vida humana, não invasivos e que almejam a auto-harmonização pela ampliação da consciência através de aconselhamento terapêutico.

Holismo Terapêutico é o conceito que se estabelece na Naturologia para o ser humano, que é visto como sendo o conjunto do físico, mental, intelectual, espiritual, familiar, social e ecológico, criado por Deus, indivisível, para o bem-estar, liberdade, cidadania com justiça, fraternidade, solidariedade e equilíbrio do desenvolvimento harmônico de todas as suas potencialidades como indivíduo.

As funções do Naturologista Clínico, como profissional liberal, que podem ser realizadas em consultórios particulares, clínicas em geral, serviços públicos, empresas e, inclusive, a domicílio, consistem em:

 

  • Proceder ao estudo e a análise do cliente, realizados sempre sob o paradigma holístico terapêutico, a fim de promover a otimização da qualidade de vida, estabelecendo com ele um processo interativo, levando-o ao autoconhecimento e a mudanças nas áreas do comportamento sócio-familiar, na elaboração da realidade pessoal e no desenvolvimento da capacidade de ser bem sucedido nas situações da vida;
  • Avaliar os desequilíbrios energéticos, em sua septenária dimensão existencial, dentro do paradigma holístico terapêutico, suas predisposições e possíveis conseqüências;
  • Promover a catalização da tendência natural ao auto-equilíbrio, facilitando-a pela aplicação das técnicas naturológicas tradicionais, com o objetivo de transmutar a desarmonia em autoconhecimento, podendo, inclusive, fazer uso de instrumentos e equipamentos não agressivos, além de produtos cuja comercialização seja livre e não medicamentosa ou sintética;
  • Promover a otimização da qualidade de vida e a maximização do potencial de cada cliente/indivíduo.

 

Para fins de conceituação e classificação, Naturologista Clínico, ou Terapeuta Naturista, ou Naturoterapeuta, significam e dizem respeito à mesma atividade profissional, mas as expressões Naturopata, Homeopata e Médico não dizem respeito à nossa atividade profissional.

As finalidades de um Naturopata são as de quem administra um remédio para uma doença. Nós da Naturologia Clínica não aceitamos esta postura porque ela atende apenas a questões sintomatológicas e não atingem a causa da enfermidade que jaz numa conduta equivocada. A própria expressão em foco indica o objetivo desta Escola: “naturo” = natureza ou natural; “pata” ou “patia” = doença. Desta forma temos literalmente: “doença natural”. O enfoque é a doença e não o doente!

As finalidades de um Homeopata são como o próprio nome já designa: usar substâncias que despertam a sintomatologia da doença. A palavra “homeo” significa “similar ou semelhante”, de sorte que esta Escola entende que se combate a doença provocando através de uma ação medicamentosa especialmente preparada para isto, no nível energético do ser humano, uma ação que desperte as forças curativas do corpo, pela indução medicamentosa homeopática. Nós da Naturologia Clínica não aceitamos esta postura porque ela atende também as doenças e não ao doente em seus comportamentos existenciais, além do que, não aponta para a necessária desintoxicação orgânica e a mudança definitiva de hábitos de vida nocivos.

As finalidades de um Médico, que representa a Escola Alopática são tão fáceis de compreender que nem carecemos de muitas explicações. A palavra “alo” significa “contrário”, sendo “patia” a “doença”, fica fácil de saber que usam os médicos algo contrário à doença para combatê-la. O problema é que a definição de doença que esta Escola defende é um erro, porque entendem seus defensores que “a doença é mal-estar”. Isto nos traz novamente ao campo da sintomatologia e não das causas da moléstia. Esta Escola é como os dois sistemas anteriores, só que agrega a este comportamento as cirurgias e o uso de substâncias rigorosamente artificiais, ou até mesmo nocivas com diversos efeitos colaterais de péssimo impacto. Nós da Naturologia Clínica nem precisamos explicar porque não aceitamos esta postura: afinal se somos Naturistas como poderíamos procurar ser conhecidos como médicos alopatas que usam recursos rigorosamente anti-naturais? Não fazemos diagnósticos de doenças, mas tratamos de pessoas completas. Pessoas não são doenças! São Santuários para habitação de Deus e, este conceito é muito maior do que qualquer outro que possa ser defendido pelas mais notáveis Escolas de Saúde Pública do Mundo!

Precisamos defender que a Naturologia Clínica não detém tratamentos naturais visando curar as pessoas das doenças. Embora esta afirmativa pareça estranha para as pessoas que estão habituadas a ouvir a palavra doença como símbolo de algo que deve ser evitado e vencido; o objetivo da Naturologia Clínica não é a doença, mas sim o doente!

Por que não pretendemos deter a doença enquanto sintoma? Porque a saída de catarros do corpo, de fezes abundantes, de suores fétidos, de bolhas, erupções, e outras condições desagradáveis, são manifestações naturais e normais de desintoxicação corporal. Se detivermos estas saídas de excrementos corporais, e preservarmos os mesmos dentro de nós, sob a alegação de que são fenômenos desconfortáveis, a economia química corporal ficará prejudicada com uma carga muito grande de toxinas que nosso corpo desejava lançar fora, mas que não deixamos ocorrer, por acharmos que eram impertinentes e muitas vezes doloridas.

Iremos ampliar esta discussão neste livro, mas devemos deixar bem claro desde o início que para nós, saúde não é bem estar, saúde é sempre normalidade funcional orgânica – defendemos firmemente que esta definição é essencial para entendermos toda a diferença entre nossa Escola e as demais propostas naturopáticas, homeopáticas e médicas.

Quando afirmamos que não somos médicos (alopata, homeopata e naturopata), queremos dizer que não o somos, porque o ofício médico em todo o mundo ocidental é o de impedir a saída destes lixos corporais com o uso de drogas que inibem sua saída. Igualmente não somos naturopatas e nem homeopatas porque estes pretendem a cura por meios que não são essencialmente a radical e completa reeducação para o estilo de vida saudável. Estes últimos propõem a cura por meio de “produtos” industrializados ditos “naturais”. Nunca nos esquecemos que tais produtos ditos “naturais” não são nossa área!

Se uma pessoa considera a palavra “radical”, que usamos a pouco como sendo muito forte, o que dizermos da palavra “conversão” que é usada na Igreja Cristã? Não é ela sinônimo de uma “transformação radical de hábitos, que nos tiram de um comportamento doentio para um saudável”? Para nós, Naturologistas, não existe possibilidade de cura sem uma firme decisão de modificação de hábitos, porque saúde não se adquire, se cultiva!

Sendo dada a ordem divina de cuidarmos das pessoas[9], nosso foco de ação é a recuperação de uma pessoa integralmente e não a atenção para a doença que esta pessoa possa estar acometida.

Estabelecer a normalidade funcional de todo o ser é o mais elevado de todos os ideais nas profissões da saúde em nosso entendimento, porque a homeostasia, que é o princípio elementar de conhecimento na fisiologia humana, só se reorganiza mediante o equilíbrio de entradas e saídas de substâncias no organismo. Ora, muitas vezes os naturologistas precisam provocar uma abundante saída de fezes do corpo, para diminuir a quantidade de excrementos no corpo, e esta providência é tomada estimulando uma breve eliminação, monitorada com grande ingestão de sucos de frutas e tisanas.

A doença como fenômeno, em si mesma, não é nosso ponto de pesquisa, dedicamo-nos a pesquisar a fisiologia (somatosíntese) e a cooperar com seus esforços por manter as coisas em ordem em termos holísticos, o que significa que nossos tratamentos são voltados para a correção de um estilo de vida que desequilibra as potencialidades físicas, mentais, emocionais e espirituais. Que desmontam com o equilíbrio familiar, social e impedem a transcendentalidade da pessoa para ligar-se a Deus em uma dimensão superior da existência.

A imensa quantidade de drogas que transitam no corpo de alguém intoxicado é assustadora e, dizemos com solenidade que milhões de pessoas não imaginam que o acúmulo de fezes no ventre causa condições terríveis em todos os aspectos da vida. Multidões não sabem que a relação entre acidose e alcalinidade é crucial na preservação da vida humana e que estas se equilibram pela ação dos grandes emunctórios corporais: pele, pulmões, rins e intestinos.

Em todas as partes do Mundo as mazelas do desequilíbrio da vida humana são alvo dos esforços dos governos e institutos de pesquisas. É verdade que as diversas escolas que militam na área da saúde têm conquistado muitos progressos e têm procurado dar o melhor de sua contribuição para atender às necessidades essenciais da saúde pública. No entanto, aumenta de ano em ano o mar de vítimas de inúmeras moléstias que se alastram por toda a parte, a despeito de todos os referidos esforços. Por que isto ocorre?

 

A moléstia nunca vem sem causa. O caminho é preparado e a doença convidada, pela desconsideração para com as leis da saúde. Muitos sofrem em conseqüência da transgressão dos pais. Conquanto não sejam responsáveis pelo que seus pais fizeram, é, no entanto, seu dever, procurar verificar o que não é violação das leis da saúde. Devem evitar os hábitos errôneos de seus pais, e mediante uma vida correta, colocar-se em melhores condições. O maior número, todavia, sofre devido a sua própria direção errônea. Desatendem aos princípios de saúde por seus hábitos de comer, beber, vestir e trabalhar. Sua transgressão das leis da Natureza produz os infalíveis resultados; e ao sobrevir a doença, muitos não atribuem seu sofrimento à verdadeira causa, mas, murmuram contra Deus por causa de suas aflições. Mas Deus não é o responsável pelo sofrimento que se segue ao menosprezo das leis naturais.[10]

 

O adágio mais conhecido entre os Naturologistas Clínicos é: “saúde não se adquire, se cultiva!”; ora, esta condição não se estabelece por acaso, depende de planejamento, responsabilidade consigo mesmo e esforço perseverante.

Não é uma condição subordinada a relatividade de nossos pensamentos, é absoluta! É uma questão de respeito às Leis Naturais e tais Leis são absolutas nunca relativas! Este aspecto da seriedade de nossa posição é muito bem enfatizada por Hyrum W. Smith:

 

Todos nós sabemos que há leis naturais no Universo, ainda que não as entendamos bem. Tivemos experiências com elas. Também sabemos que se não prestarmos atenção nelas, se não as encararmos seriamente, sofreremos as conseqüências previsíveis. Por exemplo, se ignorarmos a lei da gravidade ou não a levarmos muito a sério, ela exercerá, digamos assim, um impacto sobre nós. Se tentarmos construir um avião sem entender e aplicar às leis da aerodinâmica, enfrentaremos as conseqüências previsíveis. Se não considerarmos as leis naturais pertinentes quando construirmos uma barragem, ocorrerá um desastre. É assim porque as leis naturais são imutáveis e constantes. (…) Não há nada que possamos fazer a respeito de uma lei natural. Não podemos evitá-la, e seremos loucos se a ignorarmos.[11]

 

Dissemos há pouco que a Naturopatia representa uma expressão equivocada. Mas, precisamos explicar também que esta palavra é usada na Europa e América do Norte, como se fosse a Naturologia Clínica. Temos de fato uma confusão aqui. Uma das provas desta abordagem está na explicação que o Dr. Tanvir Jamil, médico e Membro do Colégio Médico Real da Inglaterra, apresenta usando a expressão antiga “Naturopatia” que tem sido substituída por “Naturologia Clínica”:

 

Naturopatia. Para muitos terapeutas, os princípios da naturopatia remontam à época de Hipócrates, o qual enfatizou os poderes de cura provenientes da natureza e o uso de medicinas naturais encontradas nos alimentos básicos. Ao longo dos anos, outros tratamentos e manipulações dietéticas foram incorporados na arte da naturopatia: a hidroterapia (encontrada em spas), o jejum, a higiene natural (ar fresco, água, sol), a fitoterapia, os exercícios, a massagem, a osteopatia e o aconselhamento. Antes da Revolução Industrial, as idéias básicas da naturopatia (ou seja, dieta, higiene e exercícios sensatos) causaram um efeito intenso na população em geral, tanto que, mais tarde, essas idéias foram incorporadas pelos terapeutas que exerciam a medicina ortodoxa.

A modernização e a urbanização trouxeram no seu bojo seus próprios problemas, como uma alimentação muito refinada, falta de exercícios, doenças decorrentes da ocupação profissional, efeitos colaterais causados por medicamentos e o uso de pesticidas e produtos químicos na agricultura. Não causa nenhum espanto, portanto, que uma população cada vez mais bem-informada, especialmente no Ocidente, considere a naturopatia e suas noções alimentares como os meios para combater os efeitos desse estilo de vida. Muitos naturopatas modernos consideram-se “terapeutas generalistas naturais”, mas, para eles, contrariamente à medicina alopática, a resistência do indivíduo e sua capacidade de vencer naturalmente uma doença é fundamental. Os sintomas de uma saúde debilitada, como as febres e as erupções cutâneas são consideradas sinais da vitalidade do corpo e sua forma de restabelecer a saúde.[12]

 

Podemos ver que a definição é bem diferente daquela que se manifesta na estrutura etimológica da palavra Naturopatia. Cremos que esta dificuldade pode ser superada no simples uso de todos nós da expressão Naturologia Clínica.

Com base nestas definições, entendemos que uma boa definição para o que é Naturologia Clínica é:

 

Naturologia Clínica é uma ciência, arte, técnica, tradição e filosofia de saúde humana, que utiliza recursos naturais no tratamento; entendendo que mediante estes procedimentos, poderá restaurar o equilíbrio homeostático do corpo físico, revitalizar a estrutura psicossomática e, realinhar a energia vital de tal modo que nesta terapêutica multifocal a pessoa perceba: sua missão nesta vida, a glória de Deus e encontre paz interior; partindo de fatores que estão contidos em sua septenária[13] condição existencial. A Naturologia provê uma ética e uma estética, gera um mercado e um conjunto de recursos de gestão que são exclusivos em seu próprio universo conceitual e operacional.

 

Podemos dizer que a Naturologia Clínica é, na verdade, o resgate de uma Medicina que remonta aos valores divinos que transcendem a figura de Hipócrates (citado pelo Dr. Tanvir) e, tal como nossa Escola a concebe, é uma instituição fundada nos claros valores da Bíblia em todas as suas amplas e contundentes bases. Especialmente porque o seu maior propósito e prioridade é a glória de Deus na gestão da qualidade de vida humana, enquanto Santuário Espiritual, como declara o Evangelho em 1ª Coríntios 3:16-17.

E neste ponto precisamos dar uma palavra sobre a nossa finalidade como Escola Terapêutica. Cremos ser nossa missão a gestão da prevenção, a cura e o cuidado para com Santuários Espirituais, que são as pessoas – usando uma linguagem unicamente bíblica. Ser Santuário é muito mais do que ser um Ser Humano, é ser um Filho de Deus! Na Escritura somos informados que existem seres humanos que não são filhos de Deus[14].

Os valores defendidos por esta Escola são magníficos! Pondo nossa visão dentro do universo de possibilidades clínicas mais solenes e dignas, temos uma definição que, nas palavras do Professor Paulo Henrique Martins – Catedrático da Universidade Federal de Pernambuco – ficam perfeitas:

 

A re-instituição da medicina como fato social total implica dizer, seguindo o que foi proposto por Marcel Mauss, que os bens de cura em circulação não são apenas materiais, mas também simbólicos; que a cura se faz por remédios, mas também por afetos, reconhecimentos e acolhimentos. Que a cura é um processo que se refere ao corpo físico, mas igualmente ao corpo social e, mediante esse, dirige-se às representações psíquicas e emocionais dos indivíduos e grupos.

Essas novas práticas médicas são humanas no sentido de que reivindicam prioridade para o doente e não para a doença, aproximando, logo, a Ciência Médica das subjetividades individuais/sociais.[15]

 

Talvez esta explicação do Dr. James S. Gordon seja ainda mais reveladora:

 

Holismo é um termo abrangente e generoso, amplo e integrador. A medicina holística amplia seu campo de visão para observar e descrever as dimensões familiares, sociais, econômicas, ambientais e étnicas da vida de cada um de nós. (…) O holismo é também profundamente psicológico e espiritual. Em inglês, a palavra tem inclusive a mesma raiz de “cura” (healing) e de “sagrado” (holy). Isso quer dizer que a cura vem através da inteireza, da recuperação e da reintegração de todas aquelas partes de nós mesmos que tem sido negadas, ignoradas ou reprimidas; significa que nossa vida espiritual é inseparável de nossa vida física e também emocional.[16]

 

Uma abordagem mais abrangente do papel da Terapêutica Holística pode ser encontrada na Naturologia Clínica que, devido a fatores de mercado e do capitalismo exacerbado de nossos dias, tem que se postar como individualista e independente de outras Escolas, trilhando seu próprio caminho, para poder prestar a sua colaboração social e efetiva no maior de todos os nossos alvos: recuperar e edificar vidas para a glória de Deus e para a bem-aventurança de uma vida com qualidade realmente total!

Para que não fique nenhuma dúvida, temos que ainda reforçar claramente esta explicação:

 

ü A Naturologia Clínica difere radicalmente da Medicina Alopática em seus conceitos estruturais na atualidade, ainda que no futuro possam se encontrar e se apoiar, as nossas bases são diferentes porque nossa área de concentração não é a doença, mas o doente, e nosso alvo é a cura natural (homeostasia) por meios naturais, e não o uso de drogas farmacêuticas para tratar de sintomas.

 

 

 

 



[1] TRUCOM, Conceição. Alimentação Desintoxicante. Editora Alaúde, São Paulo, 2004, p. 17.

[2] Jeremias 31:21

[3] Jeremias 6:16

[4] WHITE, Ellen Gould. A Ciência do Bom Viver. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 1997, p. 125.

[5] ALFONSO, Eduardo. Medicina Natural en Cuarenta Lecciones. Editora Kier, Argentina. 1978, p. 83.

[6] ALFONSO, Eduardo. Medicina Natural en Cuarenta Lecciones. Editora Kier, Argentina. 1978, p. 84.

[7] ALFONSO, Eduardo. Medicina Natural en Cuarenta Lecciones. Editora Kier, Argentina. 1978, p. 84.

[8] SCOLNIK, Jaime. Cura Pela Medicina Naturista. Círculo do Livro, São Paulo, 1986, p. 46-47.

[9] Deus é o centro de nossa abordagem sempre! Não somos Naturologistas para ficar ricos mas para cumprir nossa missão existencial indicada em Mateus 4:23; 9:35; 1ª Tessalonicenses 5:23; Romanos 12:1-3; 2ª Coríntios 6:15-18; João 14:23,24. É desta conceituação que vem nossa feição capelanística.

[10] WHITE, Ellen Gould. A Ciência do Bom Viver. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 1997, p. 234.

[11] SMITH, Hyrum W. Gerencie Sua Vida. Editora Mandarim. São Paulo. 1996, p. 25-26.

[12] JAMIL, Tanvir. Medicina Complementar – Um Guia Prático. Editora Manole. São Paulo, SP. 2001, p. 79-80.

[13] Já dissemos que a nossa septenária condição existencial é entendida por nós como sendo: dimensão holística pessoal: físico, emocional, racional (ou intelectual) e espiritual; dimensão holística cósmica: família, sociedade e transcendência (ecológica).

[14] Efésios 2:1-6; 1ª Pedro 4:1-4; Gálatas 5:16-25.

[15] MARTINS, Paulo Henrique. Contra a Desumanização da Medicina. Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 2003, p. 206

[16] Gordon, James S. Manifesto da Nova Medicina. Editora Campus, Rio de Janeiro, 1998, p. 63.







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