Santuários da Temperança.
A raiz dos problemas físicos do homem está na sua atitude interna frente às situações da vida. O posicionamento interior é que determina a saúde do corpo ou desencadeia as suas doenças. O doente não é vítima inocente de alguma imperfeição da Natureza ou de uma condição insalubre. Um homem não “pega” uma doença ele “faz” a sua doença. (Conceição Trucom[1]).
Considerar as pessoas como Santuários Espirituais, é crença que abre um precedente diferenciado para aqueles que entendem que o significado da vida é bem mais amplo que o trilho batido da vida meramente material que nos cerca.
Não vamos determinar um discurso religioso em nosso texto, mas que a nossa vida é muito mais que matéria é fato incontestável; ao mesmo tempo em que se reveste de uma grande verdade: não podemos viver com boa qualidade de vida sem ter saúde!
Stephano Sabetti declara com acerto:
Como era de se esperar, os maiores fatores estressantes do corpo são as emoções reprimidas. Em sua luta constante para manter uma resistência contra nós mesmos, o corpo muitas vezes produz um ou mais sintomas, que revelam indiretamente a natureza do problema e ao mesmo tempo tentam aliviar o estresse por meio de uma expressão indireta de emoções reprimidas. Mas, como Pelletier indica: ‘a fisiologia de um indivíduo é inadequada para enfrentar uma duração prolongada de estresse e ansiedade, comuns em nossa sociedade atual – em que não ocorre liberação física’.[2]
Não há pessoas que possam se libertar de emoções reprimidas porque todos os dias vamos criando novas emoções; em nossa trajetória, o campo das emoções tem que ver com os fatos da vida e não com um prato de comida, porém, o prato de comida tem que ver com a capacidade de nosso corpo suportar o peso destas emoções sem que elas nos destruam no processo!
Não podemos falar de saúde sem iniciarmos toda e qualquer descrição útil sem partirmos de um breve enunciado acerca dos valores morais que devem estar no âmago de nossas vidas.
Por que devemos falar sobre base moral e sentido da vida num livro sobre Como Evitar e Vencer Qualquer Doença Física? Porque não há doença que seja somente física!
Há uma célebre citação bíblica que nos dá uma idéia da relação íntima que existe entre o sentido da vida e o que comemos e bebemos. Isto serve de alegoria e de doutrina para aqueles que buscam entender melhor a si próprios.
O episódio é bem conhecido de todos nós, está numa das grandes concepções cristãs e é laureada em filmes e no teatro. O Tentador está diante do Cristo e Este chegou ao quadragésimo dia sem comer num deserto. Seu corpo físico anseia por alimento material como qualquer ser humano no seu limite de resistência física desejaria profusamente. O Tentador declara então com ênfase: “Se Tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães”.[3].
O que responde Cristo?
Está escrito: nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.[4]
Observando a História Sagrada dentro de seu macroconceito referente ao significado da experiência humana, há uma extraordinária diferença para o caso de Adão e Eva que diante do mesmo Tentador milhares de anos antes, cederam aos seus sofismas e procedem aleivosamente:
Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu e deu a seu marido, e ele também comeu.[5]
Estas palavras abrem o entendimento para compreendermos a grande relação que há entre a alimentação e o nosso sentido existencial. Segundo a Bíblia, no grande conflito com nossos primeiros pais e com Cristo, todo o esforço do Tentador começa em algo que eles deveriam ou não comer, a primeira escolha moral que uma pessoa deve fazer está diretamente relacionada com o domínio próprio, com a temperança e com a saúde.
Não é por acaso que grandes mentes têm se manifestado assim:
O mundo tornou-se perigoso, porque os homens aprenderam a dominar a Natureza antes de dominarem a si mesmos. (Albert Schweitzer).[6]. Aquele que domina os outros é forte. Aquele que domina a si mesmo é poderoso. (Lao Tsé)[7]. Não é livre quem não obteve domínio sobre si. (Pitágoras).[8]. A primeira vítima da falta de temperança é a própria liberdade. (Sêneca).[9]. Os maus homens vivem para comer e beber, porém os bons comem e bebem para viver. (Sócrates).[10].
Com certeza, a questão da temperança e do domínio próprio faz parte da base de toda a disputa sobre nossas vidas e tem repercussões no plano espiritual. Uma pessoa intoxicada não pode sequer pensar, quiçá entender as grandes questões que envolvem o destino de sua alma.
De todas as lições a serem aprendidas da primeira grande tentação de nosso Senhor, nenhuma é mais importante do que a que diz respeito ao controle dos apetites e paixões. Em todos os séculos, as tentações mais atraentes à natureza física têm sido mais bem-sucedidas para corromper e degradar a humanidade.[11]
Virtudes são todos os hábitos constantes que levam o homem para o bem[12], quer como indivíduo, quer como espécie, quer pessoalmente, quer coletivamente. A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Segundo Aristóteles, “é uma disposição adquirida de fazer o bem, e ela se aperfeiçoa com o hábito”.
Na doutrina apostólica esta virtude deve ser procurada da seguinte forma:
Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. (Filipenses 4:8).
[1] TRUCOM, Conceição. Alimentação Desintoxicante. Editora Alaúde, São Paulo, 2004, p. 17.
[2] SABETTI, Stephano. O Princípio da Totalidade. Summus Editorial. São Paulo, SP. 1991, p. 191.
[3] Mateus 4:3.
[4] Mateus 4:4 (Ver Deuteronômio 8:3).
[5] Gênesis 2:6.
[6] Prêmio Nobel da Paz em 1952 – criou uma grande obra de ajuda humanitária na África no pós-guerra, viveu entre 1875-1965.
[7] Codificador do Taoísmo Chinês, viveu entre o IV e o V século aC..
[8] Filósofo grego: 570-496 aC.
[9] Advogado e filósofo romano: 4 aC até o ano 65.
[10] Filósofo grego: 469-399 aC.
[11] WHITE, Ellen Gould. O Desejado de Todas as Nações. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. 2000, p. 122.
[12] Não podemos ter qualquer dúvida com relação ao que é bem e mal. O bem é vida, saúde, harmonia, equilíbrio, bondade, fraternidade, liberdade, igualdade respeitosa, temperança (domínio próprio), mansidão, humildade, dignidade, honra, bem servir, atitudes construtivas, liderança edificante, e, sobretudo, acima de qualquer questão: amor a Deus e ao próximo. Fora desta ética, deste comportamento é o mal e ele não merece nem ser listado aqui!



Se alguém, porventura, carece de explicação cientifica, além das abordagens filosóficas supras citadas para o entendimento do assunto, considerai o seguinte:
Toda estrutura humana ( isso inclui o psíquico, o emocional e até mesmo o espiritual), está organizada á partir dos sete elementos químicos naturais. Sendo estes os seguintes:
Oxigênio, Água, Carboidratos, proteínas, Lipídios, vitaminas, Minerais ( a esse ultimo grupo pertencem os oligoelementos). A forma como são organizados nos diversos sistemas e mecanismos organolépticos, é que determina as diferentes funções. A qualidade de cada um deles, bem como sua quantidade, também são fatores preponderante na natureza funcional de cada indivíduo, e isso, nos diversos níveis existencial do seu ser.
Como sempre, parabenizo o caro colega pela forma com que a um só tempo, aborda temas tão profundos com uma dinâmica facilmente compreensível. Diga -se de passagem, manejo pedagógico que sempre lhe foi peculiar.
Gilson Moura: Naturologista e quiropraxista.