A Bioética, o Naturologista e o Capelão
Dr. Jean Alves Cabral Macedo [1]
A) Introdução.
O presente texto tem três objetivos bem claros:
1. Definir os fundamentos da Bioética enquanto ciência a ser desbravada pela sociedade nos próximos anos;
2. Definir os fundamentos da Bioética que o Naturologista e Capelães defendem com base no maior de todos os seus princípios: “o princípio do evangelho do Reino e da edificação de vidas”; e,
3. Definir o padrão de comportamento que todos os Naturologistas e Capelães devem ter em sua ação profissional e ministerial nesta vida.
Convém citar introdutoriamente o conceito de dinamismo da moralidade do profissional de saúde conforme Paul-Eugène Charbonneau:
Para cada época, nova medicina; para cada nova medicina, novos problemas; para novos problemas, moral renovada. Assim é que, em nossos dias, quando a medicina conhece os desenvolvimentos mais incríveis e audaciosos, são nos colocadas interrogações decisivas e complexas. Estas questões emergentes obrigam-nos, constantemente, a repensar a moral médica e a impor-lhe um ritmo de desenvolvimento que permite à ética acompanhar a medicina. À medida que essa última amplia seu campo de ação, emergem problemas para os quais temos que encontrar soluções novas. Nenhuma moral é estática. Muito menos a moral médica. Temos que aceitar a reconsideração de nossos conceitos, a fim de que eles nos permitam uma definição adequada diante dos problemas muito graves que a medicina contemporânea suscita. [2]
Organizar as idéias e ter uma base de sustentação de princípios bem claros, faz com que a vida seja mais suave e dadivosa com quem assim a conduz. Os que pensam de modo confuso e não possuem princípios em que possam basear a vida, vivem em incertezas atrozes que muito conturbam o ser e tumultuam a vida.
A Bioética é prioristicamente a ética da vida.
Mas o que é “ética” e o que é “vida”?
Desnecessário dizermos que falamos aqui da vida evidentemente humana, não porque desprezemos toda a vida que está na imensidão ecológica que nos cerca, mas, porque nosso contexto é a Naturologia e a Capelania evidentemente humanas.
E além de respondermos estas duas perguntas, temos que definir para a geração de um conceito seguro e preciso as seguintes indagações:
- Que valores devem formar nossa vida?
- Que valores devem firmar nossa conduta entre as pessoas que nos cercam?
- Que opiniões devemos defender sobre as questões existenciais que nos cercam?
- Que valores devemos combater?
- O que é coerência e identidade pessoal?
Posto que devemos estabelecer conceitos bem claros e palavras que sejam devidamente entendidas na nossa mente, ao ponto de podermos falar disto com outros que nos cercam, precisamos ter a tranqüilidade de que estes valores que defendemos são certos, justos, corretos e dignos de nossa estima e apreciada defesa.
B) A Dignidade Humana: O Conceito de Pessoa.
Muito poderia ser dito acerca das diversas teorias que existem e das muitas filosofias que permeiam a humanidade sobre o assunto “a dignidade da vida humana”.
Para não nos tornarmos prolixos e ficarmos em um mundo de teorizações, usaremos um documento que é crucial na vida brasileira e que congrega todos os cidadãos sobre sua firme batuta. Trata-se da Constituição da República Federativa do Brasil. A Lei Máxima da Nação; aquela que está acima de todos e de tudo no País. A Carta Magna.
O que diz a Constituição da República sobre a dignidade humana e o conceito de pessoa?
A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos: (…) III- a dignidade da pessoa humana. [3]
Em outro momento, declara enfaticamente a Carta Magna:
Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I- constituir uma sociedade livre, justa e solidária; II- garantir o desenvolvimento nacional; III- erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. [4]
Quando meus alunos me perguntam o que é exatamente a dignidade da pessoa humana, eu respondo sempre que é o cumprimento equilibrado de todos os aspectos elencados neste último artigo. Inclusive, a razão da existência do Brasil como Nação sobre a face da Terra é exatamente esta que é enunciada neste artigo.
Quando estabelecemos fundamentos bem originais e precisos, fica mais fácil avançar na compreensão do que significa estar vivo e participar da vida com outras pessoas!
As palavras devem significar exatamente o que elas dizem:
- Liberdade;
- Justiça;
- Solidariedade;
- Desenvolvimento nacional;
- Eliminação da pobreza e da marginalidade pela redução das desigualdades sociais;
- O bem comum entre todos;
- O fim de “pré-conceitos” contra qualquer pessoa por razão de xenofobias;
A dignidade da pessoa humana nasce destes conceitos bem elementares. E sabemos que são dignos e justos, corretos e decentes, porque todas as pessoas desejam naturalmente um tratamento que garanta, dentro da comunidade onde está inserido, este tipo de respeito e de cuidado. Evidentemente, quem deseja ser tratado desta forma, tem que dispensar o mesmo tratamento para com todas as outras pessoas que lhe cercam. E desta condição de reciprocidade no tratamento social, baseado na Lei, surge uma convivência sadia, pacífica e produtiva que, facilitando a própria vida, lhe confere o que denominamos dignidade da pessoa humana.
Este princípio está exarado na mesma Constituição ao declarar:
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade d direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [5]
E em seguida o Congresso Nacional definiu 78 itens (Incisos) que constituem a fundamentação para a garantia destes valores enunciados no artigo.
Por exemplo, no Inciso XI deste Artigo 5º. Está escrito e definido:
A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial. [6]
Se alguém invadir a nossa casa cometerá um crime. Este crime já está declarado aqui, ou seja, invadindo nossa casa, o meliante invade nosso asilo que a lei declara ser “inviolável”. O que deve acontecer com este rebelde contra a lei?
Diz o mesmo Artigo 5º, no Inciso XLI:
A lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais. [7]
A Constituição manda que as autoridades devidamente constituídas por ela mesma e, portanto, com a devida competência para tanto, estabeleçam uma legislação específica sobre a questão.
Onde está esta lei?
Ainda a título de exemplo, apresentamos a cópia desta lei específica que atende a ordem maior da Constituição Federal.que Lei é esta? Trata-se do Decreto-Lei nº. 2848 de 7/12/1940, revisado pela Lei nº. 7209 de 11/07/1984, também denominado de Código Penal Brasileiro. Os artigos são os que seguem:
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DOS CRIMES CONTRA A INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO
Violação de domicílio Art. 150 - Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências: Pena - detenção, de um a três meses, ou multa. § 1º - Se o crime é cometido durante a noite, ou em lugar ermo, ou com o emprego de violência ou de arma, ou por duas ou mais pessoas: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, além da pena correspondente à violência. § 2º - Aumenta-se a pena de um terço, se o fato é cometido por funcionário público, fora dos casos legais, ou com inobservância das formalidades estabelecidas em lei, ou com abuso do poder. § 3º - Não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências: I - durante o dia, com observância das formalidades legais, para efetuar prisão ou outra diligência; II - a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência de o ser. § 4º - A expressão “casa” compreende: I - qualquer compartimento habitado; II - aposento ocupado de habitação coletiva; III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade. § 5º - Não se compreendem na expressão “casa”: I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do n.º II do parágrafo anterior; II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero. |
Com este exemplo demonstramos como a dignidade da pessoa humana pode ser defendida e é protegida.
Compete a Polícia, aos Tribunais competentes, garantirem o cumprimento desta lei, porque está claramente escrito que:
As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. [8]
Ainda considerando a Constituição Federal em vigor no Brasil, temos dois artigos ampliam os direitos que permeiam a dignidade da pessoa humana, e que muito nos ajudam a entender os fundamentos da vida que desejamos viver coletivamente:
São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. [9]
São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além dos outros que visem à melhoria de sua condição social: (…) salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender Às suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim. [10]
Aqui temos uma lista de todas as coisas que devem estar presentes na digna vida de qualquer cidadão brasileiro. Vejamos:
- Preservação da família;
- Educação;
- Saúde;
- Trabalho;
- Moradia;
- Lazer;
- Segurança;
- Previdência social;
- Proteção à maternidade, infância e desamparados;
- Vestuário;
- Higiene;
- Transporte;
- Reajuste do salário que proveja todos os 12 itens anteriormente elencados.
Quando nos lançamos na realidade da vida nacional descobrimos que o salário mínimo que atualmente representa R$380,00 (trezentos e oitenta reais) ou cerca de US$190 (cento e noventa dólares), não passa de uma salário mínimo miserável, desgastado, sucateado e ridículo, em face da realidade disposta nos artigos acima expostos. Qualquer aluguel de moradia em qualquer cidade do País, de uma casa com o mínimo de saneamento básico e infra-estrutura que abrigue das intempéries climáticas naturais, que sirva de asilo inviolável, custará exatamente um salário mínimo todo ao trabalhador.
Se uma pessoa tomar este salário mínimo como base de suas despesas, ela terá uma casa para morar, mas não terá nenhum dos outros 11 itens que constituem a dignidade da pessoa humana.
Estima-se que no Nordeste Brasileiro, por exemplo, existam hoje (2007) cerca de 50 milhões de seres humanos. Deste imenso grupo, cerca de 15 milhões estão na mais absoluta miséria recebendo menos que um salário mínimo, estima-se que cerca de 25 milhões estejam na faixa que vai de um salário mínimo até 3 salários mínimos; e, 6 milhões vivam na faixa de 4 a 7 salários mínimos e apenas 4 milhões estão acima de 7 salários mínimos, dentre os quais somente 40% tem uma vida com níveis que são superiores a 30 salários mínimos podem ter todos os itens devidamente enunciados na lista da dignidade da pessoa humana.
Quem não tem todos os doze componentes listados nos artigos da Constituição estão privados de direitos e são vítimas de condições absurdas de má distribuição de rendas na Nação, desemprego, crescimento desordenado, falta de perspectiva, escravidão por empresas e sistemas satanizantes da classe trabalhadora pobre.
É óbvio que o mar de miseráveis que chega a 15 milhões, por não ter acesso aos requisitos básicos terá as seguintes desgraças na própria vida:
- Destruição da vida e da própria família;
- Ignorância e má Educação;
- Doença de toda sorte;
- Desesperança e desânimo por não ter um Trabalho dignamente remunerado;
- Não terá uma boa Moradia e viverá em favelas e barracos sem saneamento mínimo;
- Um Lazer deturpado e tendencioso ao uso de drogas;
- Não viverá em nenhum tipo de Segurança pública e tenderá à violência e ao desespero em busca de condições mínimas de sobrevivência – o próprio comportamento destas pessoas poderá se tornar agressivo pela indignação da própria sorte;
- Não terá uma Previdência social que lhe garanta uma velhice digna, ou que lhe preserve uma vida com a proteção para os casos de desemprego e doença ou acidente;
- Terá uma enorme alteração de sua condição quanto à maternidade, infância e para com seus desamparados – a tragédia humana se forma de modo gravíssimo neste ponto, porque as crianças deste grupo vêm ao mundo cheias de traumas psicológicos e vícios muitas vezes desde o berço;
- Não possuem bom Vestuário;
- Não possuem acesso ao melhor que a indústria da Higiene e do asseio pode oferecer, muitas vezes, e isto é notório no caso do Nordeste Brasileiro, não possuem acesso a água potável, de sorte que muitos não tomam banho e não fazem higiene bucal mínima;
- Não possuem dinheiro para pagar o Transporte e assim ficam escravizados e limitados dentro de seu próprio território de miséria e sem auxílio para esta situação trágica;
- E quando o Governo Federal resolve fazer um reajuste do salário que proveja todos os 12 itens anteriormente elencados, este reajuste pífio é ridículo diante de toda a dificuldade que se pronunciou acima.
Não fazemos aqui um discurso de derrotismo, de miséria e de apologia a alguma ideologia de defesa dos direitos dos desamparados. Fazemos aqui uma análise objetiva e crua de uma realidade que está nas nossas portas todos os dias, porque todo este imenso agrupamento humano, de 50 milhões de pessoas, está misturado nas praças, nos mercados e nas ruas das nossas cidades.
A gravidade das condições em algumas localidades é tão marcante que chega a assustar a quem as visita. No sertão cearense e piauiense, por exemplo, existem comunidades que vivem em condições de tanta miséria que chega as raias da bestialidade, com pessoas comendo lagartos caçados em áreas desérticas ou bebendo água de cactus.
Medidas tais como fome zero criados no Governo Fernando Henrique Cardoso e mantido pelo Governo Lula, minimizam o impacto da fome, mas isto está decididamente muito longe da dignidade da pessoa humana conceitualmente prevista na Constituição Federal. Figurões do Governo Central vivem em luxo, comem alimentos caríssimos e festas e reuniões promovidas pela elite da Nação, por banqueiros e gente que só conhece a banalidade existencial como senhora, enquanto milhões de irmãos e irmãs vivem em angústia de alma, À mercê de religiões e filosofias que exploram suas vidas miseráveis.
C) O Valor Soberano da Vida.
É neste ponto que surge a ética que os Naturologistas e os Capelães defendem e, dentro de nossa Escola, tem a mesma fonte.
Posto que os Naturologistas estão marcadamente envolvidos com a saúde holística e os Capelães estão envoltos com um discurso de saúde nos moldes da moralidade evangélica, temos aqui a necessidade de conceituar o que significa vida como valor soberano para estas profissões e para suas ações na sociedade.
Uma Doutrina Espiritual que firma-se como fundamental na base de toda a articulação bioética defendida por Naturologistas e Capelães de nossa Escola, é a Doutrina da Finalidade Moral da Vida Humana Segundo a Moralidade Evangélica.
Precisamos entender antes de tudo que quando falamos “moralidade evangélica”, não estamos falando desta ou daquela Denominação Religiosa; não estamos tratando de Instituições ou Agremiações Religiosas. Estamos falando objetivamente de valores que não podem ser modificados sob hipótese alguma dentro da estrutura do Evangelho. São valores existenciais plenos que jamais poderão ser abdicados sob pena de extermínio da espécie humana.
Que valores são estes?
O valor da dignidade da existência humana nos moldes evangélicos é algo que não encontra em nenhuma filosofia ou teoria religiosa do planeta Terra rival ou posição mais elevada.
Que posição é esta?
Ela é assim descrita:
“Não sabeis que sois Santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o Santuário de Deus, Deus o destruirá; porque sagrado é o Santuário de Deus, que sois vós” (1º Coríntios 3:16-17)
Nada pode ser mais elevado do que ser um receptáculo da Presença mais Poderosa de todo o Universo! Ser uma vida cheia da presença de Deus é ser cheio de vida, de saúde, de qualidade existencial digna e pura, é ser limpo, de boa consciência e altamente produtivo.
Desta forma, a preservação da vida, na visão evangélica se dá pela própria natureza de Deus que é vida e felicidade. Diz a Escritura que onde está o Espírito de Deus ocorre o seguinte:
“Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade” (2ª Coríntios 3:17)
Ligando a questão de que somos um Santuário e que Deus está edificando-o, temos como base fundamental esta explicação profunda do evangelho:
“Porque sabemos que, se a nossa casa terrestre deste Santuário se desfizer, temos de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos, eterna, nos Céus. Pois neste Santuário nós gememos, desejando muito ser revestidos da nossa habitação que é do Céu, se é, estando vestidos, não formos achados nus. Porque, na verdade, nós, os que estamos neste Santuário, gememos oprimidos, porque não queremos ser despidos, mas sim revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida. Ora, para isto mesmo nos preparou Deus, o qual nos deu como garantia o Espírito” (2ª Coríntios 5:1-5)
A vida está amalgamada a presença do Espírito de Deus que é vida e saúde em plenitude. Dizemos que se trata do maior conceito acerca da vida, porque nada poderá ser maior do que o Espírito do próprio Deus!
Retornando ao contexto especificamente clínico do dia-a-dia de nossa ocupação na sociedade, temos estas considerações oportunas a serem mediadas:
Vamos resumir mais uma vez: a doença é um estado do ser humano que indica que, na sua consciência, ela não está mais em ordem, ou seja, sua consciência registra que não há harmonia. Essa perda de equilíbrio interior se manifesta no corpo como um sintoma. Sendo assim, o sintoma é um sinal e um transmissor de informação, pois, com seu aparecimento, ele interrompe o fluxo da nossa vida e nos obriga a prestar-lhe atenção. O sintoma avisa que, como seres humanos, como seres anímicos, nós estamos doentes, isto é, o equilíbrio de nossas forças anímicas interiores está comprometido. O sintoma nos informa que está faltando alguma coisa. Por isso, antigamente, costuma-se perguntar a um doente: “o que está lhe faltando?”. Este sempre responde explicando o que sente. Hoje perguntamos logo de início: “O que o senhor sente?” – Essas duas perguntas polares ‘o que está lhe faltando?’ e, ‘o que o senhor sente?”, são muito significativas, se as examinarmos mais detalhadamente. [11]
Quando pensamos em trabalhar com seres humanos, precisamos definir que a vida é um dom soberano, oriundo de Deus que é o único Ser do Universo que pode resgatar para Si mesmo algo que é dEle, a saber a própria vida.
A moralidade evangélica explica que a Divindade, movida por um sentido supremo de doação e caridade transcendentais nos trata da seguinte forma:
“Todos esperam de Ti que lhes dês o sustento a seu tempo. Tu lhos dás, e eles o recolhem; abres a Tua mão, e eles se fartam de bens. Escondes o Teu rosto, e ficam perturbados; se lhes tiras a respiração, morrem, e voltam para o seu pó. Envias o teu fôlego e são criados; e assim renovas a face da terra” (Salmos 104:27-30)
É por isto que o estabelecimento de uma Doutrina do Ser Humano se faz rigorosamente necessária. Nós a temos denominado de Doutrina da Finalidade Moral da Vida Humana Segundo o Evangelho. Mas é oportuno, antes de iniciarmos nossa consideração específica, devemos considerar esta concepção:
Elaborar uma doutrina do homem é, pois, o primeiro dever da medicina. Evidentemente, não é de sua competência direta empreender tal indagação. Como essa questão diz respeito à metafísica, é a essa última que devemos recorrer para estabelecer uma definição adequada. De certo modo, seria justo dizer que a única medicina digna dela mesma é a que aceita seus limites em matéria de conhecimento, e que aceita o casamento inevitável com a filosofia. Claude Bernard, que é certamente uma das maiores figuras e uma das inteligências mais lúcidas da medicina experimental, da qual, aliás, é o pai, colocou esse princípio de forma bem clara na sua célebre Introdução à Medicina Experimental. Essa obra, um dos grandes clássicos da literatura médica, destaca muito bem os limites dos conhecimentos que a medicina experimental alcança, e faz apelo a uma estreita colaboração entre ela e a filosofia, porque essa última responde a questões que ultrapassam o saber puramente científico.
A medicina deve, pois, situar-se diante do homem. Ela não poderia nem definir-se a si mesmo, nem traçar seus caminhos sem se referir a uma antropologia que deverá ser elaborada numa dupla perspectiva. Primeiro, como acabamos de dizer, numa perspectiva filosófica. Em seguida, numa perspectiva científica, e mais precisamente biológica. É assim que ela poderá desenhar o perfil daquele que é a sua própria razão de ser. Isto não que absolutamente dizer, que deverá se ligar a um credo religioso, e menos ainda a uma teoria filosófica exclusiva. Ultrapassando a fé e a metafísica, um fato se impõe e que dará à medicina sua unidade: o respeito absoluto pela pessoa humana. Neste nível, nenhuma tolerância será permitida. Toda fé deve ser tolerante e respeitar a consciência dos que a professam ou não; toda metafísica é relativa e não há dogma filosófico que se imponha como fonte de uma ortodoxia coercitiva. Mas em matéria de medicina só existe um princípio que não admite nenhuma discussão; é o de que toda medicina deve respeitar o ser humano de modo incondicional. E que ela deve servir sua Vida. Assim, torna-se evidente a dimensão ética da medicina. Poderíamos dizer que tal ética resume-se numa ética de respeito ao homem resta saber o que isso significa. [12]
Para nós, tal ética funda-se no sentido de sermos filhos e filhas de Deus, Santuários Espirituais e altamente importantes na perspectiva divina que se manifesta no amor.
D) A Doutrina da Finalidade Moral da Vida Humana Segundo o Evangelho.
- a. Introdução à Doutrina Básica das Origens do Ser Humano em Deus.
O Fundamento de toda nossa fé inicia-se com a Finalidade Moral da Vida Humana. O ser humano foi criado por Deus à Sua imagem e semelhança para compor um propósito que o Criador possui, de povoar o Universo com criaturas morais inteligentes e capazes de usarem suas potencialidades para a glória da própria Divindade. Esta glória pode ser entendida com a máxima que a própria Escritura expõe ao dizer:
“Moisés disse ainda: Rogo-te que me mostres a Tua glória. Respondeu-lhe o Senhor: Eu farei passar toda a minha bondade diante de ti, e te proclamarei o Meu Nome Jeová; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e Me considerei de quem Me compadecer” (Êxodo 33:18-19).
“O Céu e a Terra tomo hoje por testemunhas contra ti de que te propus a benção e a maldição, a vida e a morte; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz, e te apegando a Ele; pois Ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias” (Deuteronômio 30:18-20).
O homem veio à existência para glorificar a Deus e cooperar com o grande propósito divino de tornar a vida coletiva de todas as Suas criaturas uma benção geral.
A vida humana não é dependente de uma energia cósmica, ou de um fluído empírico, no qual o ser humano é parte do cosmos. Não. O homem não é uma entidade divina, é uma criatura finita, limitada e sujeita à morte. Só Deus, o Criador dos Céus e da Terra é grande e capaz de sustentar a vida humana por Seu eterno poder.
A Bíblia explica que Deus é eterno, mas que a criação teve um princípio; que Deus é eternamente independente da matéria; o Universo é dependente dEle, porque Ele o mantém; Ele fez tudo por Sua própria vontade, livremente e não por necessidade; o Universo é uma criação da santa vontade do Deus Eterno, uma obra e não uma emanação, de maneira que Ele é superior à tudo e à todos, ao mesmo tempo que é possuidor de todas as coisas e de toda a vida. O mundo não é uma parte de Deus, Ele permanece O mesmo, com ou sem a existência do Universo. Todavia, é onipresente, onipotente e onisciente.
A relação entre Deus e o Universo é de causa e efeito, de sujeito para objeto. A criação nos revela muito sobre Seu Autor. Há uma considerável exposição desta verdade na Bíblia (Gênesis 1:1,2; Hebreus 1:1-3,10; Efésios 1:11; Colossenses 1:16,17; Apocalipse 4:11). Mas esta exposição não é retórica ou didática, ela ocorre como uma simples constatação de um fato comum aos hebreus. O apóstolo Paulo declarou:
“Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela Palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê” (Hebreus 11:3).
Por que Deus criou o Universo e pôs nele a Terra?
O amor é o princípio motivador de tudo aquilo que Deus faz e pensa, pois diz a Escritura que “Deus é amor”1º João 4:8. O salmista, procurando demonstrar a relação divina para com Sua Criação afirma: “Os Céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das Suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento à outra noite. Não há linguagem, nem palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a Terra se faz ouvir a sua voz, e as Suas palavras até nos confins do Mundo.” (Salmo 19:1-4).
Estas palavras revelam que o propósito divino ao criar o Universo foi o de expor Sua glória, ou seja, a Natureza passa a ser testemunha dos aspectos da grandeza da personalidade da Divindade. O apóstolo Paulo expressou esta compreensão com as seguintes palavras: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim como o Seu eterno poder como também a Sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas criadas.” (Romanos 1:20)
A glória de Deus é o que Ele mesmo é. A palavra “glória” deve ser entendida como “caráter”. A Escritura registra firmemente que “o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a Sua glória como a glória do unigênito do Pai” (João 1:14)
Em Cristo, o Filho Unigênito de Deus, vemos o que Deus é de fato, pois Ele é a revelação de Deus entre os homens, é o Dom que abre aos homens a compreensão do que a raça humana significa para a Divindade e demonstra a Finalidade Moral da Vida Humana.
E nesta abordagem vemos que o caráter de Deus, de amoroso que é, não convive com a falta de filhos criados para Sua felicidade pessoal e para que Ele lhos comunique Seus traços de caráter, de modo que sejam felizes e ditosos.
“Porque assim diz o Senhor, que criou os Céus, o Senhor que formou a Terra, que a fez e a estabeleceu, não criando-a para que fosse um caos, mas para ser habitada: Eu Sou o Senhor e não há outro” (Isaías 45:18)
A Finalidade Moral da Vida Humana só pode ser compreendida em Deus. E este reconhecimento, solene e reverente como o é em si mesmo, compunge-nos o coração, estabelecendo a seguinte atitude interior: “Oh! Vinde, adoremos e ajoelhemo-nos, prostremo-nos diante do Senhor, que nos criou” (Salmo 95:6)
A reverência, o culto, o louvor, a adoração, o espírito de humilde intuição exercidos para com Deus, significa reconhecer não apenas toda a gloriosa extensão da augusta grandeza do Todo-Poderoso, mas reconhecer que somos criaturas dEle, criados para a Sua glória, e portanto, possuímos uma origem extraordinariamente sublime e valiosa. O apóstolo compreendia esta realidade quando escreveu:
“Porque nEle foram criadas todas as coisas nos Céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nEle subsistem todas as coisas” (Colossenses 1:16,17)
Nenhuma mente finita pode compreender completamente a existência, o poder, a sabedoria, ou as obras do Ser Infinito. Contudo, as obras da Criação e m sentido mais estreito, nós mesmos, somos um testemunho de que a finalidade e a razão da vida estão em Deus. Tudo provém dEle e equilibra-se nEle. A vida só é possível nEle. Ajustar-nos com Ele é a chave de uma vida plena e satisfatória em todos os seus sentido e aspectos, mais ainda, a relação com Ele na obediência as Suas Leis consiste na própria implantação de Sua vontade e de Seu Espírito em nós:
“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (João 14:21)
“Se alguém me amar, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos nele morada. Quem não me ama, não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai que me enviou” (João 14:23-24)
“Se guardares os meus mandamentos, permanecereis no seu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. Estas coisas vos tenho dito, para que a minha alegria permaneça em vós, e a vossa alegria seja completa” (João 15:10)
- b. O Propósito de Deus na Criação do Homem.
O que se pode conhecer do propósito divino na criação do homem, podemos ver nas Escrituras Bíblicas, exatamente no trecho que está em Gênesis capítulos 1 e 2, onde Deus dispõe as principais características da vida humana em sua formação original.
Dentre estas características salientamos o seguinte:
- Deus criou um ambiente específico para o homem, com animais, vegetação, clima e outras características especificamente dispostas de modo que o homem possua um meio ambiente conveniente à sua natureza de criatura. Ao homem cumpre cuidar e zelar deste meio ambiente: Gênesis 1:1-31 à 2:1-3. Com este ato Deus estabeleceu o trabalho (Gênesis 1: 26; 2:15) como uma das características básicas da vida humana;
- Deus determinou que tipo de alimentação o homem deveria ter e é totalmente vegetariana (Gênesis 1:29,30; 2:9), não determinou que o homem promovesse a morte de animais para seu sustento, mesmo depois do pecado (Gênesis 3:17-19) não determinou o Senhor que o homem se alimentasse de animais, mas complementou sua alimentação com abrolhos e ervas;
- Deus determinou também ao homem que este santificasse o dia do Sábado (comparando Gênesis 2:1-3 com Êxodo 20:8-11) reconhecendo-O como Criador e Mantenedor de toda a criação. O Sábado é um dia de benção, santificação e descanso;
- Deus formou o homem como alma vivente e não como um espírito dentro de um corpo. Isto é fundamental (Gênesis 2:7 comparar com Eclesiastes 12:7), porque depois da queda, e mesmo na queda, Satanás, o adversário irá explorar imensamente a idéia de que o homem é imortal em si mesmo, ou seja, procurará afirmar que todos os homens são um espírito dentro de um corpo, quando na verdade, o homem é uma alma vivente que se produz exatamente da soma de espírito e pó da Terra. O ocultismo e diversas outras correntes de pensamento opõem-se depois da queda a esta postura estrutural estabelecida por Deus e constroem o espiritismo;
- Deus deu ao homem uma residência fixa no Jardim do Édem (Gênesis 2:8);
- Deus deu ao homem uma lei e um código penal muitíssimo simples e claro, de que ele não deveria comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2:16,17), pois no dia em que dela comesse ele morreria;
- Deus deu ao homem uma companheira compatível com sua natureza, e estabeleceu de modo absolutamente sagrado o matrimônio, e instituiu a família (Gênesis 2:23-24; 1:27,28).
Quando consideramos os 12 itens previstos em nossa Constituição Federal e comparamos com estes itens que estão exarados na gênese humana, temos um quadro interessante de necessidades básicas que devem ser satisfeitas para que uma pessoa tenha dignidade ideal. Notemos o que declara a Bíblia:
- O trabalho é a base de toda a dignidade, é o primeiro conceito estabelecido por Deus. O ser humano é criado para trabalhar e não para viver de vagabundagem.
- A sobrevivência humana deve ser feita mediante uma alimentação ecologicamente pró-vida e jamais com base na morte. Assim a alimentação deve ser absolutamente associada aos bens da vegetação e não da criação animal, e muito menos da industrialização, que é uma invenção muito mais recente.
- O dia do Sábado foi dado como um memorial perpétuo de descanso, benção e santificação da vida. O mandamento do Sábado é tão sagrado na Bíblia que ele foi dado neste momento de Gênesis 2:1-3, repetido nos Dez Mandamentos em Êxodo 20:8-11, e quando o Mundo todo for restaurado, diz o Senhor: “Pois, como os novos céus e a nova terra que hei de fazer, durarão diante de mim, diz o Senhor, assim durará a vossa posteridade e o vosso nome. E acontecerá que desde uma lua nova até a outra, e desde um sábado até o outro, virá toda carne adorar perante mim, diz o Senhor”. (Isaías 66:22-23). O dia do Sábado não é e nunca foi um mandamento dado apenas para o povo de Israel como pretendem alguns que se opõem a sua guarda, mas foi dado na Criação a toda espécie humana e, quando houver a restauração de todas as coisas, deverá ser como determina o Senhor neste texto. Por que poderíamos acreditar que diante desta fundamentação ele possa ser abolido como prática de vida, ou ser substituído pelo Domingo ou qualquer outro dia da semana? Entrementes a tudo isto, não devemos esquecer, é um dia de descanso, abençoado e santificado, portanto, não podemos dispor dele como nos aprouver, mas devemos submeter-nos ao Criador que o determinou em sinal de nossa lealdade a Sua autoridade soberana. Por isto que está escrito: “E santificai os Meus sábados; e eles servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais que Eu Sou o Senhor vosso Deus” (Êxodo 20:20). Esse dia foi dado como um sinal e uma marca entre os que são comprometidos com Deus e os que não são. Trata-se de assunto da máxima solenidade e deve ser examinado mais profundamente por todos.
- A mortalidade da vida humana está claramente estampada no texto bíblico, isto é, que todos nós somos limitados e jamais poderemos suplantar a vida além do poder e da vontade divina. As Leis da vida devem ser obedecidas para que tenhamos vida em abundância. Este valor é crucial na disposição de valores tais como o desejo de ser amado, respeitado e o senso de utilidade. Quem não tem na mente este princípio da pequenez humana diante da grandiosidade de Deus e de Suas Leis vive uma vida louca, sem temor de Deus e acaba por aniquilar-se holisticamente. As Leis Naturais são evocadas aqui pela força da história da queda da espécie humana em pecado. Na verdade, a vida só tem sentido quando harmonizamos eticamente (comportamentos) com as Leis Naturais e Morais que advém de Deus. Não se trata de aderirmos a valores culturais, mas de percebermos a cultura divina na existências das Leis Naturais e Morais. A grande Lei de que quem peca morre é uma máxima que aponta a nossa realidade: somos criaturas e não deuses, somos limitados e não infinitos, somos derivados e não criadores, somos mortais e para vivermos dependemos da misericordiosa intervenção divina. Esta crença fere frontalmente toda a manifestação de que o ser humano após a morte fica vivo. Esta possibilidade só será possível, segundo as Escrituras, se algumas regras estabelecidas pelo Criador forem satisfeitas, dentre as quais figura a maior de todas elas que diz: “Porque Deus enviou o Seu Filho ao Mundo, não para que julgasse o Mundo, mas para que o Mundo fosse salvo por Ele. Quem crê nEle não é julgado; mas quem não crê, já está condenado; porquanto não crê no Nome do Unigênito Filho de deus. E o julgamento é este: a luz veio ao Mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam manifestas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que seja manifesto que as suas obras são feitas em Deus” (João 3:17-21). Todo este assunto nos impõe questões tais como: previdência social (porque somos mortais e ficamos velhos), além de outros pontos que estão no texto da Constituição Federal.
- Precisamos de meter em nossa cabeça que devemos ter uma moradia fixa e certa, onde criamos amigos e vizinhos e compartilhamos a experiência de uma vida social saudável.
- Devemos entender que a família é a base de toda a estrutura de nossa vida prática e visível. A família e o agrupamento de famílias é nossa maior alegria diante de Deus.
- c. Um Conceito Mais Amplo que o Humanismo.
O homem só pode encontrar felicidade neste plano de vida instituído no princípio pelo Criador. O homem é compatível com estas coisas simples que foram estabelecidas no princípio. Poucos percebem que o que a Bíblia ensina sobre a origem do homem é algo incrivelmente extraordinário! Talvez muitos, por preconceito e ignorância sobre as Escrituras, prefiram ignorá-las, mas, aos que buscam nela a sabedoria e o conhecimento - que deleite não encontram!
O homem simplesmente descende de Deus!
Que humanismo poderá comparar-se a esta exposição?
Deus criou o homem à Sua própria imagem e semelhança. Embora haja quem queira ter suas origens em macacos (ou coisa que o valha), a Educação Cristã nos caracteriza como pessoas com uma identidade nobre e especialmente elevada. Somos filhos de Deus!
Esta simples verdade e realidade, é suficiente para que louvemos e agradeçamos ao nosso Pai Celeste! O Eterno, Senhor de galáxias e constelações sem fim, Dono em Chefe e Mantenedor dos Exércitos do Universo, colocou aqui uma parte de sua família mais chegada, a única da criação que possui “Sua Imagem e Semelhança.” Somos muito especiais para Ele!
Quando Adão saiu das mãos do Criador, trazia ele em sua natureza física, intelectual, emocional e espiritual, a semelhança de Seu Criador. ‘Deus criou o homem a Sua imagem’, e era Seu intento que quanto mais o homem vivesse, tanto mais plenamente revelasse esta imagem, refletindo mais completamente a glória do Criador. Todas as faculdades eram passíveis de desenvolvimento; sua capacidade e vigor deveriam aumentar continuamente. Vasto era o alvo oferecido a seu exercício, e glorioso o campo aberto à sua pesquisa. Os mistérios do Universo visível - ‘as maravilhas dAquele que é perfeito nos conhecimentos convidavam o homem ao estudo. Aquela comunhão com seu Criador, face a face e toda íntima, era o seu alto privilégio. Houvesse ele permanecido fiel e tudo isto teria sido seu para sempre [13]
Criados para serem a imagem e glória de Deus, Adão e Eva haviam obtido prerrogativas que os faziam bem dignos de seu alto destino. Dotados de formas airosas e simétricas, de aspecto regular e belo, o rosto resplandecendo com o rubor da saúde e a luz da alegria e esperança, apresentavam eles em sua aparência exterior a semelhança dAquele que os criara. Esta semelhança não se manifestava apenas da natureza física. Todas as faculdades do espírito e da alma refletiam a glória do Criador [14]
Assim como a luva foi feita conforme a semelhança da mão, pois seu propósito é conter a mão. Igualmente, o homem foi criado à semelhança de Deus para conter a semelhança e a imagem de Deus e o Seu amor. Nossas origens testificam do alto ideal que nos estava destinado na Criação. Como diz a Escritura:
“As riquezas da Sua glória também deu a conhecer nos vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória, os quais somos nós, a quem também chamou” (Romanos 9:23,24)
Quais as potencialidades do ser humano? O homem é como um descendente, na Criação, do Deus Eterno, com uma semelhança espiritual, intelectual, emocional e física à imagem do Criador.
Cristo sintetizou o que significa ter sido o homem criado à imagem e semelhança de Deus com as seguintes palavras:
“Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento” (Lucas 10:27)
O homem está potencializado, organizado e composto assim:
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Coração |
Emoções e Sentimentos |
|
Alma |
Espiritualidade Sensitiva |
|
Forças |
Corpo Físico |
|
Entendimento |
Intelectualidade |
O amor de Deus, aqui citado, deveria ser a fonte de onde o homem deveria consagrar no altar da vida, em todos os momentos, com todo poder pessoal, estas potências!
Não se trata de conter conhecimentos ou crenças a respeito de Deus, mas de possuir a Pessoa dEle no ser interior! O que Deus pretendia na Criação da raça humana era comunicar não uma forma de viver, não um sistema experimental de criaturas, não uma idéia de felicidade, mas Deus comunicou a Si mesmo. Sua natureza de amor exala abnegação e bençãos para os seres vivos! Diz a Escritura:
“Porque nEle (Cristo) foram criadas todas as coisas nos Céus e na Terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por Ele e para Ele. Ele é antes de todas as coisas, e nEle subsistem todas as coisas” (Salmos 104:27-30)
Por ser compatível com Jeová, o homem é uma pessoa. O que está inserido no homem na Criação de forma finita e limitada ao seu corpo, pode ser encontrado em Deus de modo natural e infinito. O que podia ser encontrado em sua mente de modo limitado e finito (intelecto, emoções) na Criação, podia ser visto em Seu Criador de forma infinita.
O que o homem era espiritualmente no Jardim do Éden, só pode ser entendido realmente pelo que Deus é. Ao visualizar-mo-Lo, vemos que Adão era parecido ou semelhante com o Senhor, ao ponto dAquele que é perfeito nos Seus caminhos declarar: “E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que erra muito bom.”
Os eruditos tem estado a debater com o significado da expressão bíblica ‘imagem de Deus’. Tem havido alguma concordância, e do mesmo modo considerável grau de desacordo. Por exemplo, alguns estudiosos sugerem que a imagem de Deus é definida por certas qualidades espirituais, das que poderiam citar a autoconsciência, autodeterminação ou a capacidade de pensamento racional. Outros identificam a imagem de Deus com a responsabilidade de exercer domínio sobre a Terra. Alguns propõem que a essência do conceito deve ser buscada na capacidade humana de relacionamento com o Criador e os demais seres humanos. Alguns têm até mesmo identificado a suposta similaridade entre a forma física do homem e a de Deus, como sendo a essência da imagem. [15]
Se tomarmos a palavra “personalidade” como definição de uma criatura humana feita à imagem e semelhança de Deus, com as quatro potências interiores em perfeito “equilíbrio pela obediência às Leis de Deus”, teremos uma noção mais ampla destes conceitos.
O apóstolo Paulo, em dois textos selecionados expõe sua compreensão sobre o que Deus deseja destas potencialidades:
“E vosso espírito, alma e corpo, sejam conservados íntegros” (Filipenses 4:7)
Eis então:
|
Espírito |
Espiritualidade Sensitiva |
|
Alma |
Mentalidade |
|
Corpo |
Físico |
|
Corações |
Sentimentos e Emoções |
Observe-se que neste quadro a palavra “alma” surge como mentalidade, e no quadro anterior aparecia como espiritualidade sensitiva. No texto de Cristo em Lucas 10:27, a palavra “espírito” não foi utilizada, mas, a palavra ali é alma. No caso destes textos de Paulo, temos a palavra “espírito” para espiritualidade sensitiva e alma em substituição à palavra “entendimento”, que foi usada no texto de Lucas 10:27. Isto é absolutamente correto pois as palavras: alma, entendimento e espírito; em hebraico é “ruach”, ou “nephesh”; e em grego é “pneuma”. A tradução destas palavras também se apresentam muitas vezes como “vida”, “anjo”, “vento”, “coração”. Assim, o contexto é consultado para que se possa saber com precisão o que se pretende dizer no texto.
- d. Deus Busca Restaurar a Finalidade Moral da Vida Humana.
Há uma Guerra Espiritual sendo travada neste planeta e o ser humano está imerso em degeneração atroz. A misericórdia divina vem e auxílio da espécie condenada para restaura-la e liberta-la do pior evento que este conflito traz em si: a morte eterna!
Quantos de nós já viu um mendigo esfarrapado, cheio de doenças, sujo e alcoolizado nas ruas de nossa cidade? Cremos que provavelmente todos já vimos isto. Tal imagem não é de forma alguma nada parecida com a de um filho criado à imagem de um Deus amoroso.
Esta situação existe exatamente devido à sentença que Deus estabeleceu sobre o homem na Criação ao dizer-lhe que se comesse do fruto que não devia iria morrer e sofrer as conseqüências de sua atitude. Isto tudo têm que ver com uma solene e pesada guerra que tem sido travada entre Deus e Satanás, motivada por Satanás.
Esta guerra espiritual se dá ao longo de toda a Bíblia. Leia-se o Novo Testamento inteiro, leia-se os evangelhos de Marcos e Lucas, como Cristo lidou com endemoniados, espíritos malignos e hostes da maldade! Cristo sempre venceu-os! Cristo sempre lidou com estas criaturas rebeldes como personalidades morais (imorais), sempre as repreendeu com a Bíblia na Boca, como vemos em Mateus 4:1-11; Lucas 4:1-13 e Marcos 1:12,13, dentre outros textos.
As conseqüências desta guerra espiritual, ou seja, de um anjo querendo matar a Deus (como se fosse possível à este louco fazê-lo!) e, instituir seu trono no Céu, redundou no Império da Iniquidade, mediante a vergonhosa queda de Adão e Eva no Jardim do Édem. Notai-a:
“Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: é assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrereis. Disse a serpente à mulher: Certamente não morrais. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecedores do bem e do mal” (Gênesis 3:1-5)
Desde esta época o homem conhece o mal e pensa e age como se fosse que é um deus de si mesmo!
O budismo, o xintoísmo, o taoísmo, o confucionismo, o islamismo, o zoroastrismo, o ateísmo, o próprio catolicismo, até o protestantismo moderno, são todos um eco da voz da serpente quando disse: “sereis como Deus.” O homem não permanece vivo na morte! Isto é definitivo nas palavras do Senhor garantindo que o homem morre. A teoria de que o espírito do homem permanece vivo seja lá onde for é um erro satânico. Todos crêem na voz da serpente quando acreditam que não há morte para pecador!
O Diabo, utilizando um animal, realizou a primeira sessão médium-espírita e proclamou: “certamente não morrereis.” Em decorrência desta religião demoníaca, todos crêem (com exceção dos fiéis de Deus) que a alma é imortal e que o espírito é indestrutível ou algo semelhante.
Ao passo que Cristo ensinou claramente que a vida eterna só é possível na fé depositada nEle, Satanás procura apresentar ao homem uma distorção dos fatos que caracterizam a Finalidade Moral da Vida Humana.
Nosso Senhor declara, no entanto:
“Eu Sou (Cristo) o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por Mim” (João 14:6)
“E a vida eterna é esta: que conheçam a Ti como único Deus verdadeiro, e a Cristo a quem enviaste” (João 17:3)
O impacto do pecado que nossos primeiros pais cometeram são de largo espectro sobre toda a raça humana, não poupando nenhum de nós. As Escrituras Sagradas apontam de modo muito enfático para a abrangência do pecado, mostrando-nos como a Finalidade Moral da Vida Humana se perdeu com a entrada do pecado no mundo, e como só em Cristo é possível ser salvo e restaurado.
“As vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; os vossos pecados esconderam o Seu rosto de vós, de modo que não nos ouça.” (Isaías 59:2); “A alma que pecar essa morrerá.” (Ezequiel 18:4,20)
“Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim poderás comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás, porque no dia em que dela comerdes, certamente morrerás.” (Gênesis 2:16,17)
“Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis.” (Gênesis 3:4)
“Porque o salário do pecado é a morte.” (Romanos 6:23)
“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” (Romanos 3:23)
“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também, porquanto todos pecaram, a morte passou a todos os homens.” (Romanos 5:12)
“Porque tu és pó e ao pó tornarás.” (Gênesis 3:19)
Diante da pergunta: O Que é Pecado? Basta-nos apenas uma palavra para explicá-lo: pecado é independência de Deus.
O que é independência? É a inclinação natural do ser humano de ter em sua opção existencial o desejo e vontade de não querer que o Deus Criador seja o seu Senhor e Soberano, mas, antes, a independência declara que o homem é, por desvio do plano original de Deus, de um modo ou de outro, deus-de-si-mesmo.
A independência indica que o meu “eu” é o centro de tudo para mim; é a forma absoluta e completa de negar qualquer submissão ao Senhor - e isto é disposto no 1º mandamento da Lei de Deus como grave crime contra a vida. Diz a Lei divina:
“Não terás outros deuses diante de Mim.” (Deuteronômio 5:7)
Por isto a Bíblia define o pecado como a negação de Deus valendo-se das expressões que se seguem:
“Todo aquele que comete pecado transgride a Lei, pois pecado é a transgressão da Lei.” (1ª João 3:4). “Toda injustiça é pecado.” (1ª João 5:17)
“Aquele pois, que sabe fazer o bem e não o faz comete pecado.” (Tiago 4:17) “O servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; mas o que não a soube, e fez coisas que mereciam castigo, com poucos açoites será castigado.” (Lucas 12:47,48) “Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Nós vemos, permanece o vosso pecado” (João 9:41)
“Tudo que não provêm de fé é pecado!” (Romanos 14:23). “Quem não é comigo (Cristo) é contra Mim; e quem comigo não ajunta, espalha.” (Mateus 12:30). “… pecado, porque não crêem em Mim (Cristo).” (João 16:9)
Conquanto exploremos este assunto em uma doutrina específica, introduzimos aqui algo sobre como a Finalidade Moral da Vida Humana se perdeu totalmente. Vejamos como o Criador veio (e vem) em busca de cada um de nós!
“O grande plano da redenção tem como resultado trazer de novo o mundo ao favor de Deus, de maneira completa. Tudo que se perdera pelo pecado é restaurado. Não somente o homem é redimido, mas também a Terra, a fim de ser a eterna habitação dos obedientes.” [16]
Quando foi interrogado sobre qual o grande propósito de Seu trabalho na Terra, Cristo estabeleceu o fundamento de todo o Reino de Deus e de Seu próprio Ministério dizendo:
“A Obra de Deus é esta: que creiais nAquele que Ele enviou” (João 6:29)
O apóstolo Paulo sintetiza toda a Obra de Salvação da raça humana dizendo:
“Porque se com a tua boca confessares a Cristo como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo; pois é com o coração que se crê para justiça, e com a boca que se faz confissão para a salvação.” (Romanos 10:9-10)
“Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.” (João 10:10)
“Percorria Cristo toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando toda sorte de doenças e moléstias entre o povo.” (Mateus 4:23)
“E percorria Cristo todas as cidades e aldeias, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do reino, e curando toda sorte de doenças e moléstias. Vendo Ele as multidões, compadeceu-Se delas, porque andavam desgarradas como ovelhas que não tem pastor. Então disse a seus discípulos: na verdade a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a Sua seara.” (Mateus 9:35-38)
Cristo não possuía um Ministério limitado. Sua Obra consistia em ensinar, pregar e curar – o Seu Ministério possuía três dimensões, mas era úno. Ele era um Discipulador (ou Professor), ao mesmo tempo que era um Evangelista (e Pastor), mas, era também um Médico, e Seu Ministério tornava-se completo com esta dimensão essencial.
A Obra de Deus é a mesma em todos os tempos, embora haja graus diversos de desenvolvimento e diferentes manifestações de Seu poder, para satisfazerem as necessidades dos homens nas várias épocas. [17]
Ao longo de todos os séculos depois que o pecado tornou-se o déspota do nosso mundo, “crer nAquele que ele enviou”, salvando a raça humana, têm sido a tônica em um Deus em Quem “não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17)
Mas, por que este é o fundamento da Obra de Deus?
Porque desde que a humanidade caiu em pecado, Deus tem trabalhado ininterruptamente num propósito claramente definido:
Com o pecado, a semelhança divina se deslustrou, obliterando-se quase. Enfraqueceu-se a capacidade física e sua capacidade mental diminuiu; ofuscou-se-lhe a visão espiritual. Tornou-se sujeito à morte. Todavia, a raça humana não foi deixada sem esperança. Por infinito amor e misericórdia foi concebido o plano da salvação, concedendo-se um tempo de graça. Restaurar no homem a imagem de Seu Autor, levá-lo de novo à perfeição em que fôra criado, promover o desenvolvimento harmônico do corpo, espírito e alma para que se pudesse realizar o propósito divino de sua criação – tal deveria ser a obra da redenção. Este é o objetivo da educação, o grande objetivo da vida. [18]
Restaurar a imagem de Deus no homem é o grande negócio da Obra de Deus! Notamos claramente que a Obra de Cristo sempre foi tríplice. Ele utilizava-Se dos seguintes métodos:
- Ensino;
- Pregação;
- Cura.
Ao considerarmos Suas ordens aos discípulos antes de partir da Terra, temos exatamente a repetição de que estes deveriam seguir Seu modo de trabalhar para cumprir a Obra de Deus, notai:
“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-lhes a observar todas as coisas que vos tenho ordenado…” (Mateus 28:19,20)
“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura…e porão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados” (Marcos 16:15-20)
“A Obra de Deus é sempre a mesma em todos os tempos, embora haja graus diversos de desenvolvimento e diferentes manifestações de Seu poder, para satisfazerem as necessidades dos homens nas várias épocas. Começando com a primeira promessa evangélica, e vindo através da era patriarcal e judaica, e mesmo até ao presente, tem havido um desenvolvimento gradual dos propósitos de Deus no Plano da Redenção. O Salvador tipificado nos ritos e cerimônias da lei judaica, é precisamente o mesmo que se revela no Evangelho. As nuvens que envolviam sua divina pessoa foram removidas; o nevoeiro e as sombras desapareceram; e Cristo, o Redentor do mundo, Se acha revelado. Aquele que do Sinai proclamou a lei e entregou a Moisés os preceitos da lei ritual, é o mesmo que proferiu o sermão do monte. Os grandes princípios de amor a Deus, que estabeleceu como fundamento da lei e dos profetas, são apenas uma repetição do que Ele dissera por meio de Moisés ao povo hebreu: ‘Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo teu poder’(Deuteronômio 6:4,5). ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’(Levítico 19:18). O ensinador é o mesmo em ambas as dispensações. As reivindicações de Deus são as mesmas. Os mesmos são os princípios de Seu governo. Pois tudo procede dAquele ‘em Quem não há mudança nem sombra de variação’. (Tiago 1:17)” [19]
O solene princípio de que a Obra de Deus é restaurar no homem a imagem de Seu Autor, mediante a fé em Cristo, deve ser algo objetivo.
O que Paulo quer dizer ao escrever?
“Rogo-vos, pois irmãos, pelas misericórdias de Deus , que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformais-vos pela renovação de vossa mente para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:1,2)
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CORPO |
CULTO |
VONTADE |
|
Sacrifício vivo, santo e agradável |
Racional |
Boa, agradável e perfeita de Deus |
O corpo é uma referência ao nosso aspecto físico, culto racional é uma nítida apresentação à nossa espiritualidade e intelectualidade, e a renovação do vosso entendimento implica numa transformação de nossas emoções, tanto que em outra citação Paulo declara:
“E a paz de Deus que excede todo entendimento, guardará vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo” (Filipenses 4:7)
Porque Satanás compreende estas coisas é que entra com suas astutas ciladas, pois seu alvo é destruir toda possibilidade de sermos restaurados à imagem de nosso Criador.
Ora, Paulo concentra sua ênfase na seguinte expressão: “que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus”. Por que ele disse isto?
“Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo carnal, para obedecerdes às suas concupiscências; nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado como instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como redivivos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos da justiça. (…) não sabeis que daquele a quem vos apresentais como servos para lhe obedecer, sois servos desse mesmo a quem obedeceis, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?…assim apresentai agora os vossos membros como servos da justiça para santificação” (Romanos 6:12,13,16,19)
O corpo é o único agente pelo qual a mente, a emoção e o espírito se desenvolvem para a construção da restauração da imagem do Senhor em nós. Um ser humano sem um cérebro fisicamente existente não é um ser humano de verdade. Corrompendo o corpo, degradando as faculdades físicas, o diabo procura submeter a raça humana ao seu controle, para a morte e para a iniquidade.
Então o que significa apresentar nossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus? O texto é muito claro: “obediência para a justiça. (…) servos da justiça para santificação”.
Eis aí o que significa uma fé obediente! Justiça e santificação! O desenvolvimento da restauração da imagem de Deus em nós, sai da parte da graça divina para a santificação através da fé obediente. O desenvolvimento do caráter se faz através de um processo de cooperação entre Cristo e o homem, assim como o processo de derrocada depende da ligação do homem com Satanás.
Por isto a participação humana é a de tomar a decisão de submeter-se ao senhorio de Cristo, pois somente nesta atitude de humilde obediência pode ser preservado com vida, restaurado e santificado definitivamente. Isto está implícito nas expressões que Paulo usou: “a quem vos apresentais como servos”; “que apresenteis”.
O homem deve decidir a quem irá servir!
Posto que a adoração correta só é possível através da apresentação de nossos corpos em sacrifício vivo, observamos que a intemperança é o principal agente satânico de corrupção da pessoa, pois é a negação do direito divino de receber o nosso culto racional. Nossa missão como servos do Senhor é a de proclamar o que está escrito:
“Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo” (1º Coríntios 6:19,20)
Sem saúde ninguém pode compreender distintamente suas obrigações para com Deus e para com seu semelhante. Por esta razão a saúde deve ser tão fielmente conservada como o caráter.
“Mediante a satisfação do paladar o sistema nervoso torna-se excitado e debilita-se o poder do cérebro, tornando-se impossível pensar calma e racionalmente, desequilibra-se a mente” [20]
“Os nervos do cérebro, que se ligam com o organismo todo, são o intermédio pelo qual o Céu se comunica com o homem e afeta sua vida mais íntima. O que quer que estorve a circulação da corrente elétrica no sistema nervoso, debilitando as forças vitais e diminuindo a suscetibilidade mental, vem tornar mais fácil o despertar da natureza moral.” [21]
Cooperando com esta Obra Divina de restauração da imagem de Deus nos homens, estaremos favorecendo a formação de um povo de quem as Escrituras caracterizam com “os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Cristo” (Apocalipse 14:12)
Notas:
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Dr. Jean Alves Cabral Macedo (21/09/2025), brasileiro natural do Rio de Janeiro, é Naturologista e Capelão. Reside e mantém um Gabinete em Fortaleza, Ceará. Contatos: drjacm@oi.com.br (Ano: 2007). [Voltar]
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GONÇALVES, Ernesto Lima & Outros. Moral Médica. Sarvier Editora de Livros Médicos. São Paulo, 1984, p, 23. [Voltar]
-
Constituição Federal de 1988. Artigo 1º. Publicação do Congresso Nacional. [Voltar]
-
Constituição Federal de 1988. Artigo 3º. Publicação do Congresso Nacional. [Voltar]
-
Constituição Federal de 1988. Artigo 5º. Publicação do Congresso Nacional. [Voltar]
-
Constituição Federal de 1988. Artigo 5º. Inciso XI. Publicação do Congresso Nacional. [Voltar]
-
Constituição Federal de 1988. Artigo 5º. Inciso XLI. Publicação do Congresso Nacional. [Voltar]
-
Constituição Federal de 1988. Artigo 5º. Parágrafo 1º. Publicação do Congresso Nacional. [Voltar]
-
Constituição Federal de 1988. Artigo 6º. Publicação do Congresso Nacional. [Voltar]
-
Constituição Federal de 1988. Artigo 7º. Inciso IV. Publicação do Congresso Nacional. [Voltar]
-
DETHLEFSEN, Thorwald & DAHLKE, Rüdiger. A Doença Como Caminho. Editora Cultrix, SP, 2007, p. 17. [Voltar]
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GONÇALVES, Ernesto Lima & Outros. Moral Médica. Sarvier Editora de Livros Médicos. São Paulo, 1984, p, 26. [Voltar]
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Educação, 15. Ellen G. White. Casa Publicadora Brasileira. [Voltar]
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Idem, 20. [Voltar]
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“The Image of God in Man”, por D.J.A. Clines, Tyndale Bulletin 19 - London: Tyndale Press, 1968. [Voltar]
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Patriarcas e Profetas, 342. Ellen G. White. Casa Publicadora Brasileira. [Voltar]
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Patriarcas e Profetas, 373. E. G. White. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí, SP. [Voltar]
-
Educação, 15,16. E.G. White. Casa Publicadora Brasileira, Tatuí, SP. [Voltar]
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Patriarcas e Profetas, 373. Ellen G. White. Casa Publicadora Brasileira. SP [Voltar]
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Conselhos Sobre o Regime Alimentar,151. E.G. White. Casa Publicadora Brasileira. Tatuí. SP. [Voltar]
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Educação, 209. E.G. White. Casa Publicadora Brasileira. [Voltar]



Agradeço ao nobre amigo Eduardo Monteiro e ao nobre ex-aluno e Naturólogo Gil - Govinda, as mensagens de abordagem de nossos temas neste Site. Espero que possamos tê-los como colaboradores sempre, será uma honra considerar suas mensagens com atenção e cuidado.
Paz e bem.
Quando e porque o Milenar Sistema Naturológico não pode
Atender as Necessidades Somáticas Septenárias.
Iniciaremos a compreensão desse contesto por meio de uma literalização transcendentalizada naturosoficamente em holismo ascendente a compreensão do prisma de holos para que tão somente assim a transcendentalidade septenária em exercício possa ser justificada pelo seu uso apropriado e necessário de ser meio de entendimento daquilo que não se compreende de outra forma que não seja essa.
Possamos entender que dois são os fatores que influenciam diretamente a vida septenária nesse plano terreno.
O primeiro deles é o meio ambiente e o segundo é o estilo de vida que o septenário possui nesse ambiente.
Isso porque o septenário modifica o meio e o meio que ele modifica o influencia.
Isso é um ciclo vicioso onde o septenário influência o meio e o meio influenciado por ele o influência em uma dinâmica de trocas de influências entre o meio influenciado e o influenciador do meio modificado.
Essa relação de influencias tem ocorrido de forma desordenada, pois o septenário tem modificado a essência da natureza e perdido a sua em função da falta de contato com a mesma.
O estilo de vida que o septenário possui em um determinado ambiente, poderá refletir características do mesmo uma vez que a este esteja adaptado.
Mas também é possível desenvolvermos um estilo de vida cujos hábitos possam ser diferente do ambiente em que circunstancialmente estamos adaptados, por exemplo se morarmos em uma grande metrópole poderemos desenvolver um estilo de vida cujos hábitos condizem com a loucura constante dessa desenfreada selva de pedras, ou quem sabe poderemos resistir a toda essa pressão gerada pelo corre-corre diário em detrimento do ter e do ter para ser aquele que mais tem que é pra poder ter mais e mais.
Caso haja essa condição de suportabilidade de adaptação circunstancial, onde o envolvimento com o meio é estritamente cauteloso e a consciência seja contundente com relação aos bons hábitos, onde esta demonstra-se de maneira presencial, ocorrera o discernimento entre o ideal e o real, de forma que o que for viável será realizado de forma sabia em função da busca pelo equilíbrio afim.
Após este breve relato podemos perceber que somos modificadores do meio que nos modifica em função das modificações por ele sofridas, modificações estas que são produtos de nossas ações em busca do desenvolvimento constante.
Tais modificações de ambos os lados podem ser de duas naturezas, ou seja, podem ser boas ou ruins, pois se modificarmos o meio de forma que ocorra transgressão das leis naturais na modificação sofrida por ele, isso não é bom, pois a resultante desse seguimento ira nos conduzir a uma punição natural ofertada naturalmente pelo meio em função da transgressão das leis naturais que regem o equilíbrio das confluências espaciais ecológicas universais.
Em suma, se o meio é modificado e sua modificação foi gerada pela transgressão de uma lei natural, a reação ecológica dele não será boa.
Entenda que a natureza não reconhece fronteiras septenárias, pois seus limites são margens diferencialmente transcendentais daquelas que topograficamente mensuramos em nossa ignorante limitação do meio natural.
Já podemos perceber por meio da exposição aqui literalizada, que há uma dinâmica de influencia entre o meio e aquele que reside nele, bem como punições naturais em detrimento da transgressão de uma lei natural qualquer, de forma que para viver em um meio seja ele qual for, torna-se necessário que as leis naturais que regem o equilíbrio ecológico daquele espaço sejam respeitadas a fim de que haja uma harmonia entre natureza e septenário.
Após absorvemos em transcendental compreensão o resumo relâmpago da realidade em essência estranha e visceralmente aceitável que aqui foi descortinado as vossas janelas, iremos entender como a milenar ciência cosmodivina que possuímos é limitada pelas próprias leis naturais que a favorecem e não a permitem violar os espaços existenciais entre a prevenção e a remediação, de forma que sua rigorosa lei é de justa medida na ciência que se torna terapeuticamente em transcendência para uso único e exclusivo de extremidade contundentemente preventiva e nada mais alem disso.
Vamos visualizar por meio de uma pontuação altamente transcendental, o limite do limite de atuação da prevenção das leis naturais que tão holísticas que são se auto-justificam aplicando em si as próprias leis que valem para a realização do cumprimento de lei natural, de forma que após o exposto tudo se fará mais claro e de forma cristalina poderemos visualizar a contundência de um limite aplicável de lei natural irremovível em si própria e em tudo o que exerce ação de lei natural imutável.
Sendo uma terapêutica de caráter estritamente preventivo, a terapêutica naturista jamais afasta-se dos caminhos da prevenção pois esses são os caminhos que conduzem a normalidade homeostática do soma.
Com relação a sua não atuação nos casos acima mencionados, isso justifica-se em função de tal condição não ser pertinente a esfera preventiva e sim da outra esfera não preventiva que encontra-se do outro lado do abismo que separa os dois pólos esféricos preventivos e não preventivos.
O que deve ser entendido de maneira que não reste nenhuma duvida é que a terapêutica naturista possui uma linha de conduta clinica, de forma que reconhecendo o seu oficio educacional preventivo, passa a ocupar um função única e essencial na vida de cada criatura septenária que necessite de suas orientações educacionais naturosoficas holisticamente preventivas.
Naturologo
Eduardo Monteiro