Um amigo de muitos anos, em um encontro num café em Aracaju (Sergipe, Brasil), depois de um certo tempo de conversa, colocando as fofocas em dias, me perguntou:
- Jean, se você pudesse se definir de modo profundo; como se apresentaria, por exemplo, num texto curto?
Pensei e repensei muito esta questão por quase dois anos e finalmente creio haver encontrado a resposta objetiva e segura para dar à mim mesmo acerca de tão importante questão!
Eu sou quatro concepções fundamentais!
Minha definição de mim mesmo é a de que sou:
(1) um pragmático-utilitarista,
(2) um evangélico-dogmático,
(3) um liberal-social, e
(4) um missionário-cristão.
Como é isto?
1) Um Pragmático Utilitarista!
Eu sou um pragmático! Tudo em mim é sistema e organização em quadros mentais, o tempo todo, todo o tempo. Talvez porque seja portador da Síndrome de Bordeline e ela seja controlada desde meus 29 anos com o rigor da disciplina mental; mas, enfim, sou decididamente um pragmático!
O pragmatismo constitui uma Escola de Filosofia estabelecida no final do século XIX, com origem no Metaphysical Club, um grupo de especulação filosófica liderado pelo lógico Charles Sanders Peirce, pelo psicólogo William James e pelo jurista Oliver Wendell Holmes Junior, congregando em seguida acadêmicos importantes dos Estados Unidos.
Segundo a Escola Pragmática, enquanto doutrina metafísica, o sentido de uma ideia corresponde ao conjunto dos seus desdobramentos práticos. Ou seja, o Pragmatismo - no campo da filosofia - é a corrente de ideias que prega que a validade de uma doutrina é determinada pelo seu bom êxito prático.
Não farei uma análise ampla do pragmatismo neste momento; embora dentro de meu Site eu aponte esta abordagem com uma devoção maior em alguns momentos; é importante salientar que não sou um pragmático preso em 1898 quando se fez o primeiro registro deste termo por William James.
Um pragmático é alguém que se posiciona com base em evidências empíricas e nas práticas mais vantajosas para o sujeito individual, pode ser considerada uma doutrina filosófica que procura a verdade não como símbolo, mas como fato. Por isto eu procuro sempre entender e sintetizar os fenômenos que estou analisando à uma abordagem especificamente prática, útil, necessária, não gastando meu tempo com a especulação ociosa ou mesmo inútil. Prefiro sempre fazer a pergunta primária que vai nortear toda a investigação: “esta pesquisa tem que utilidade?”
Me defino, depois de cinco décadas de vida como um utilitarista estrito, seguindo cuidadosamente a doutrina ética defendida principalmente por Jeremy Bentham e John Stuart Mill, contemporâneos do grupo que sistematizou o pragmatismo; entendo que tais propostas tiveram o mérito de afirmar e propor uma lógica em que as ações são boas quando tendem a promover a felicidade e a qualidade de vida e, obviamente ruins e más, quando tendem a destruir ou promover o oposto da lógica óbvia.
O utilitarismo prático obviamente tem as suas limitações num mundo em que as subjetividades e os relativos querem se impor, como se fossem significativos na verdade concreta da vida analisada pelo pragmatismo utilitarista - mas, a ideia de que eu devo agir sempre de forma a produzir a maior quantidade de bem-estar para mim, para minha família, para a comunidade, o país e, quiçá, o mundo - é um ideal pelo qual vale a pena viver! Assim creio e assim defendo!
Foi com base nesta abordagem primária que abri minha mente para um mar de leituras, para um acervo que tem centenas de livros e, animosamente eu os desfruto com a claridade e generosidade de uma xícara de café ou de chocolate diariamente, entendendo que estou em um abençoado colóquio com estes centenares de amigos. Expoentes com os quais eu brigo, me divirto e me instruo - para oferecer, oportunamente, às pessoas com quem interajo, uma visão maiêutica e noética da vida!
Do filósofo espanhol George Santayanna vem a frase que meus alunos me ouvem repetir milhares de vezes:
- Entre o ventre materno e o túmulo, resta-nos viver intensamente o intervalo!
Eu digo sempre altaneiro: cuidado com a intensidade empregada nos momentos da vida e tudo que ela representa, para não acelerardes a chegada do túmulo!
De Alfred Adler, magnífico psicólogo holístico veio a máxima síntese:
- É o indivíduo que não está interessado no seu semelhante quem tem as maiores dificuldades na vida e causa os maiores males aos outros. É entre tais indivíduos que se verificam todos os fracassos humanos.
Não me perdi da acidez do ceticismo de Santayanna e verifiquei que a sua tristeza aparente, não se confirma nesta outra pérola que, me parece muito nítido, revela a sua paixão pela vida e pela alegria de estar, quando teve esta oportunidade:
- Que a vida vale a pena ser vivida, é a mais necessária das admissões, e, não sendo tal admitido, a mais impossível das conclusões!
E foi com esta firme convicção que entendi que a vida e nada mais do que a vida, com todas as suas complicações e desencontros, é o que me inspira à ir adiante!
Exatamente neste ponto, me confesso um seguidor da Filosofia da Qualidade de Vida que é a doutrina que considera a busca de uma vida plenamente feliz - seja em âmbito individual seja no coletivo; porém, ela se estabelece no princípio fundamental dos valores morais, julgando eticamente positivas todas as ações que conduzam o homem à felicidade. É toda doutrina moral que, recolocando o bem na felicidade (eudaimonia), persegue-a como um fim natural da vida humana.
Alguns críticos do pragmatismo-utilitarista dirão que esta escolha é complicada, porque ela tende a apontar na direção do hedonismo, segundo o qual, o fim da ação humana é a obtenção do prazer imediato, entendido como gozo circunstanciado e transitório, para mim isto é posição efêmera diante das grandezas da vida!
2) Um Evangélico-Dogmático!
Ora, não posso negar a essência natural de minha própria vida! Eu tenho que admitir, para não ser tomado de estupidez voluntária, que sou um cidadão brasileiro, nascido no Rio de Janeiro em 21/09/1968, sob circunstâncias bem específicas, ou seja, filho do “seu Cabral” e da “dona Sandra”, filho mais velho - neto da “dona Lolita”, “educado pela tia Sonia”.
Não sou um hindu, um hare krisha, um muçulmano, um taoísta, um zoroastrista, nem confucionista ou de qualquer outra tradição que não seja aquela que em que fui parido: o Cristianismo! Ponto.
Entendo que há quatro pilares civilizacionais que nos caracterizam, dominando-nos e impondo um fato existencial maior que nós mesmos podemos enfrentar, ainda que muitas pessoas façam imersões em outras estruturas de pensamento, a verdade é que somos, em situações normais, agregados de uma determinada “terra”, de um determinado “povo”, onde nascemos e temos em nosso sangue os elementos imperativos da “hereditariedade” e de poderosas “marcas” que caracterizam a pessoa que cada um de nós é, e nisto nos diferenciamos dos demais. É pacífico isto!
Por esta razão, o óbvio me impõe, como bom pragmático-utilitarista, que eu adote uma postura onde eu seja coerente com as primícias de minha própria realidade existencial e não invente de mergulhar em uma estrutura que não existe para mim! Por exemplo, aqui no Brasil comemos feijão com arroz, daí não vou inventar de comer peixe cru e arroz japonês, só para dar uma de culto ou sujeito aberto a outras possibilidades - isto é bobagem! Não sou japonês, não sou branco, não sou índio, não sou um aborígene - sou efetivamente um sujeito de cor parda, com características nitidamente ligadas à etnia negra e meus ancestrais se misturam com: Angola, Congo e Portugal.
Se tomamos o Cristianismo como referência, e ele o é, temos Jesus Cristo (Yehoshua Mashiah) como alguém que tem uma objetiva e direta conexão com Israel. Ele não é árabe, sudanês, chinês, japonês, húngaro, etc. Ele é um israelita e está sujeito à toda a infraestrutura de Sua nação. Isto já me ensina, de saída, que a identidade de uma pessoa jamais deve ser renegada!
E, neste ambiente fui tomado de uma educação que teve seus altos e baixos, e me conduziu a uma convicção conclusiva:
Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. (Romanos 1:16).
É minha base espiritual! É a raiz da minha dogmática! Sou um evangélico-dogmático!
E nesta diretriz a orientação é perfeita e simples:
Aquele que diz estar nEle deve andar como Ele andou! (1ª João 2:6).
Ora, como é que Jesus andava?
Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele. (Atos 10:38).
E Jesus andava de aldeia em aldeia, pregando o evangelho do Reino, ensinando nas sinagogas e curando as enfermidades do povo. (mateus 4:23; 9:35).
Destas bases nascem minha visão, ideal, lógica e essência de vida!
É a maior de todas as doutrinas de minha existência! Está em minhas manifestações em tudo; sobre todas as coisas - esta visão de mim mesmo enquanto lógica sobre minha própria existência se consolida.
É onde estou a gastar meu tempo de vida, minhas energias, minha posição onde estiver e sobretudo, minha consciência está alinhada com esta visão!
Creio nisto com todas as minhas forças! É uma definição pessoal, não uma confissão religiosa ou proposta de participação numa seita ou igreja qualquer.
Quando falo sobre o utilitarismo aliado ao pragmatismo e das interessantes abordagens em que estes dois foram aplicados de modo concreto nas bases do sistema político, na legislação, na justiça, na política econômica, na emancipação feminina e em outros cenários; penso neles como duas bases de convergência para reafirmar, na Era Contemporânea, a lógica imperativa das Escrituras Israelenses quando nos dizem que o Cristo viveu e vive para fazer o bem, pregar, ensinar e curar as pessoas, chegando ao máximo de doar toda a Sua vida pelos outros.
Deste tema o apóstolo Pedro tratou com a seriedade que a pauta enseja:
Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo o bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos. (1ª Pedro 2:15).
Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. (1ª Pedro 2:20).
Porque é melhor é que padeçais fazendo o bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo mal. (1ª Pedro 3:17).
Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhes as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem. (1ª Pedro 4:19).
A instrução formal que temos, no cenário do Cristianismo é a de que nossa vida deve ser conduzida, na melhor perspectiva possível e ela é constituída por este “fazer o bem” com o seguinte espírito:
Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. (João 15:13)
Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos. (1ª João 3:16)
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna!
Meu pragmatismo-utilitarista se conecta ao meu dogmatismo-evangélico exatamente neste ponto! Conforme tenho declarado, as condições de composição psíquica que tenho, a vida é uma oportunidade de “fazer o bem” diante de Deus. Nisto o apóstolo Paulo declara que “o mesmo Deus de paz vos santifique (eduque) em vosso corpo, alma e espírito” (1ª Tessalonicenses 5:23); então, vejo Deus atuando em minha vida de tal modo que pelo “ministério de fazer o bem” eu posso ver, sem dúvidas, meu espírito edificado pela pregação, minha alma construída pela educação e meu corpo pela cura.
Foi por isto que me formei (formalmente) em teologia, em pedagogia e em medicina natural - porque no conjunto delas há o tripé básico do pregar, ensinar e curar de Cristo - com foco centrado no fazer o bem!
O dogmatismo é uma espécie de fundamentalismo do bom senso ou do senso comum, determinado em certo cenário sociocultural. E há, aqui, um bom pano de fundo para se travar homéricas disputas filosóficas, mas que, por força do espaço neste momento, não farei neste texto a abordagem na amplitude com que concebo tal direção. Isto ficará para meus artigos, onde tudo se subordina à esta maneira pragmática-utilitarista, dogmática-evangélica de pensar o significado das coisas!
Sobre o fundamentalismo, tenho uma admiração por ele, porque a sua definição exata me parece rigorosamente lúcida e normal: “qualquer corrente, movimento ou atitude, de cunho conservador e fiel, que enfatiza a obediência rigorosa e literal a um conjunto de princípios básicos” - no ambiente religioso, dizem os dicionários: “movimento religioso e conservador, nascido entre os protestantes dos EUA no início do século XX, que enfatiza a interpretação literal da Bíblia como fundamental à vida e à doutrina cristãs”. Obviamente, pessoas que não entendem nada sobre esta pauta e não se dão ao luxo de ler sobre o mesmo, pensarão que se trata de “defesa de violência religiosa” - mas, isto é próprio de analfabetos sobre a temática.
Immanuel Kant em sua obra “Crítica da Razão Pura” pretendeu que os dogmáticos expressam verdades talvez não certas, indubitáveis e não sujeitas a qualquer tipo de revisão ou crítica e, por esta razão, imprimiu um sentido depreciativo à palavra “fundamentalismo” ou “fundamentos”. Ele inaugurou a ‘era do relativismo moderno”, criticando a tendência de que o dogmático é alguém que possui a tendência para acreditar que o mundo é da maneira que lhe foi apresentado e que não aceita qualquer objeção ou reage muito agressivamente à esta proposição refutativa.
Albert Einstein, porém, alguns anos depois disse que “tudo aquilo que o homem ignora não existe para ele, por isto o universo de cada um se resume ao tamanho do seu saber”; e está mais que óbvio que este princípio já estava sacramentado pela orientação semítica:
A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possues na aquisição de entendimento. (Provérbios 4:7).
Há pessoas que serão limitadas e verão a palavra “dogmatismo” ou “fundamentalismo” como uma única manifestação “da religiosidade” do sujeito ou de determinada corrente, especialmente se ela estiver rigorosa e unicamente atrelada ao conjunto de dogmas teológicos - o que eu também tenho por ser um teólogo de carreira - porém, aqui não falo de dogmática neste sentido.
O vocábulo “dogma” do grego δόγμα (dogmatikós, em grego moderno alasbilaleiko) significou primitivamente “oposição”. Tratando-se assim de uma opinião centrista, isto é, algo que se referia a “opinião em si”. Por isso, o termo dogmatismo significava “relativo à doutrina”, ou “fundado em princípio”, ou ainda “ensinamento, pedagogia”.
Para alguém que se posiciona como pragmático, utilitarista e evangélico - os meus críticos se posicionam tendenciosamente de modo a pretender uma incoerência ou inconsistência em minha posição; ao que tenho dedicado algum tempo a considerar a possibilidade e insisto que me mantenho firme nestes fundamentos, porque o fundamentalismo em si não é o problema, mas os valores que se defende nele.
Todas as pessoas, sem qualquer possibilidade de exceção são fundamentalistas ou dogmáticos em alguma doutrina, nem que seja da anti-doutrina (se é que isto é possível!).
Também, a falta de entendimento de que com o decorrer dos séculos, o dogmatismo começou a ser percebido como uma posição filosófica eclesiástica (Igreja Católica) defendendo que as verdades absolutas existem e que a estrutura da Igreja era a detentora da sua primazia. Por força da Inquisição e de muitos outros tipos de excessos praticados ao longo de cerca de 1358 anos (440 d.C. na ascensão de Leão Magno I até 1798 na queda de Roma diante do general napoleônico Berthier) - temos um problema sério, profundo, de institucionalização ampla e deplorável da inacessibilidade ao saber.
Os filósofos que existiram, com raras exceções, insistiram demasiado nos princípios metafísicos e em alguns casos, nas tolices defendidas pela crendice religiosa e, por esta razão, não prestaram atenção aos fatos, ou argumentos que pudessem pôr em dúvida esses princípios. Esses filósofos não consagraram o principal da sua atividade à observação ou ao exame, mas sim à afirmação que a religião exigia que fosse feita. Foram por isso chamados filósofos dogmáticos, ao contrário dos filósofos examinadores que vieram a ser rotulados de céticos.
Eu me posiciono exatamente entre estes dois mundos e repilo tanto o extremismo de um quanto o do outro; naturalmente porque eu nasci em 1968 e estou aqui escrevendo estas linhas em 2018 e a força da tecnologia mudou o cenário da experiência humana em todos os aspectos que, ao tempo de Kant, de Stuart Mill, Santayanna, etc., nem de longe poderiam supor que com um simples “click” de uma tecla de computador, eu pudesse acessar milhões de trabalhos científicos que respondem às mais diversas questões racionais da vida.
Diante desta proposição e sem perder meu “romantismo evangélico” - como quererão meus críticos - a lógica é bem simples:
Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu pensamento, porque dele procedem as fontes da vida. Desvia de ti a falsidade da boca e afasta de ti a perversidade dos lábios. Os teus olhos olhem para a frente e as tuas pálpebras olhem direto diante de ti. Pondera a vereda de teus pés e todos os teus caminhos sejam bem ordenados! Não declines nem para a direita nem a esquerda; retira o teu pé do mal. (Provérbios 4:23-27).
Meu dogmatismo se apresenta com base no óbvio da minha experiência e se compõe de minhas próprias percepções no cenário onde eu existo. Ora, propor algo diferente seria ser profundamente estúpido! Não poderia apresentar uma dialética e uma dialógica longe da língua portuguesa, das raízes de meu povo.
E afirmo isto com grande ênfase porque não posso deixar de lado a Filosofia do Processo (ou Filosofia do Organismo) desenvolvida entre os anos de 1930-1940 por Alfred North Whitehead que, mesmo não sendo diretamente conectado à Escola Pragmática como um discípulo, apontou uma cosmologia convergente com esta. E a convergência se dá na justa medida em que a ordem dos pensamentos do pragmático profissional indica um Universo concebido como um agregado emergente de eventos numa coleção de fatos. Tais fatos serão objeto de maior investigação do filósofo neerlândes Guy Debrock que promoveu mais recentemente uma percepção que denominou Pragmatismo Processual; e o filósofo Richard Rorty tem denominado de Realismo Pragmático.
Eu tenho, como fruto destas leituras e da reflexão cuidadosa sobre os seus pilares, um posicionamento que continua em Cristo. Leio no Evangelho:
Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. (Mateus 7:24-27).
Que pode ser mais claro?
A casa é meu santuário pessoal (1ª Coríntios 3:16-17); a Rocha é o próprio Cristo e Sua mensagem com Sua presença real em minha vida (Deuteronômio 32:4). As intempéries citadas no texto, são as dificuldades da vida, as agruras desta realidade que pretendem derrubar minha casa, eu mesmo; porém, tenho como firme fundamento de minha fé e de minha base mental que:
Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra fundamental. (Efésios 2:20). No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito. (Efésios 2:22) … vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecerdes sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo (1ª Pedro 2:5).
3) Um Liberal Social!
Na vida prática, algumas questões são essenciais entender porque o mundo ao nosso redor precisa ter significado ou a falta do significado acaba por nos trazer confusão mental, que é a mãe da depressão, da ansiedade, do transtorno bipolar e até dependência química!
Como se organiza a vida inteira? Qual a realidade concreta das coisas?
A Civilização é constituída de 4 Pilares. São eles, em ordem de precedência e valor:
1- A Língua e a Literatura - que nos permite definir que somos um povo, num território, dentro de uma história que se une por causa do idioma que falamos e nos aproxima.
2- A Religião que define o Codex de Moralidade formativa, que explica porque, por exemplo, um pai não deve casar-se com sua filha, ou porque respeitamos a vida acima da doença. Não existe povo, nação, sociedade sem religião, porque ela é a base da formação moral de todas as pessoas. Ainda que alguém não goste deste padrão moral, isto é fato, no mundo islâmico, no mundo budista, no mundo hindu, no mundo zoroastrista, e assim por diante, como o é aqui. Não existe cidade brasileira sem uma praça, uma delegacia, uma prefeitura, um mercado público e … uma igreja católica bem no lado.
3- A Família e toda a estrutura de hábitos que são defendidos por ela. A cultura de uma sociedade está casada com as famílias. Eu comandei um projeto em Belém do Pará - lá eles dançam Carimbó, No Rio de Janeiro, minha terra natal é o samba. Se forem a Goiás, é a música caipira, enfim, o folclore, as tradições, as pinturas, tudo nascem dentro de uma educação familiar, onde talentos e pessoas se posicionam dentro de uma estrutura de comidas típicas, roupas, sonhos, ensinamentos de nossos avós, etc.
4- Por fim, temos a composição das Leis que vão controlar esta imensa estrutura antropológica (Língua, Literatura, Religião, Moral, Família e Cultura). Estas Leis são feitas em Casas Políticas, onde o povo elege seus representantes, maus ou bons - e esta é a regra da Sociedade, é quando se fala de política! E apenas um tolo imagina que poderia viver fora do poder da Lei. Todos somos regulados por princípios que vão desde o direito do idoso sentar em cadeira especial no ônibus, até a possibilidade de uma intervenção militar determinada pelo Presidente da República sobre um Estado da Federação para fazer guerra contra o narcotráfico. A Lei está em toda parte, portanto, a política está em todo lugar. Política vem do grego: “polis” = “cidade” - leis da cidade.
Nesta visão, me posiciono como Liberal-Social, ou seja, minha visão política, decorrente de minha interpretação das leis, que são um reflexo da melhor cultura, que advém do anseio das famílias, que respondem a uma compreensão moral, presente nos valores religiosos que expressamos no melhor de nossa língua pátria - eis minha escolha!
O liberalismo social, novo liberalismo, ou liberalismo moderno é um desenvolvimento do liberalismo no início do século XX que, tal como outras formas de liberalismo, vê a liberdade individual como um objetivo central.
A diferença está no que se define por liberdade!
Para o liberalismo clássico, “liberdade é a inexistência de compulsão e coerção nas relações entre os indivíduos“, já para o liberalismo social a falta de oportunidades de emprego, educação, saúde etc. podem ser tão prejudiciais para a liberdade como a compulsão e coerção, por isto “liberdade só pode existir quando toda estrutura constituída na sociedade é projetada e administrada no sentido de estimular as vocações, o empreendedorismo, o investimento em realizações criativas e a organização de programas geradores de riqueza e renda, deixando os indivíduos rigorosamente livres para atuarem no mercado aberto”.
As ideias e partidos que adotam o liberalismo social são consideradas por alguns como centristas e alguns entendem-nos como sendo de centro-esquerda; nesta abordagem os liberais sociais encontram-se entre os mais fortes defensores dos direitos humanos e das liberdades civis, embora combinando esta vertente com o apoio a uma economia em que o Estado desempenha essencialmente um papel de regulador e de garantidor do acesso à todos (independentemente da sua capacidade econômica), aos serviços públicos que asseguram os direitos sociais considerados fundamentais.
Todavia no liberalismo social, o Estado não tem obrigatoriamente de ser o fornecedor do serviço público, tendo apenas de garantir que todos os cidadãos tenham acesso a tais serviços públicos, independentemente da sua capacidade econômica. Na Holanda, por exemplo, apenas um terço das escolas da rede pública de educação, são detidas e geridas pelo Estado, sendo que os restantes dois terços são detidos e geridos por privados.
A palavra “social” é utilizada nesta versão do liberalismo com um duplo sentido:
(1) Primeiro - como forma de diferenciação dos grupos que defendem correntes do liberalismo como o liberalismo clássico, o neoliberalismo e o libertarianismo.
(2) Segundo - como forma de marcar os ideais universais da defesa das liberdades individuais associados ao direito coletivo intocável de preservação destas liberdades.
O Liberalismo Social é uma filosofia política que enfatiza a colaboração mútua através de instituições liberais, especialmente as privadas, em oposição à utilização da força para resolver as controvérsias políticas.
Rejeitamos quer a versão pura do capitalismo e escolhemos o capitalismo criativo.
Não aceitamos nada que possa ser parecido com a abordagem pregada pelos pseudo-revolucionários da escola socialista e muito menos do comunismo!
Por fim, como liberal social coloco minha ênfase nas liberdades positivas, tendo como objetivo aumentar as liberdades dos desfavorecidos da sociedade. A Liberdade Positiva é definida como o poder pessoal, bem como a posse dos recursos para cumprir suas próprias potencialidades e para controlar e determinar suas próprias ações e destino, sem a intromissão do Estado nesta escolha. A ação do Estado deve ser a de garantir que as regras de defesa destes desenvolvimento seja firmemente garantido por uma legislação liberal.
Reconheço como valiosa a contribuição da “Internacional Liberal” que é uma rede global de partidos políticos liberais, fundada em Oxford em 1947 por iniciativa de liberais belgas, britânicos e noruegueses. Hoje em dia é uma organização que luta pela implementação da democracia liberal pelo mundo inteiro. Os princípios que defendo e são desta?
- Direitos humanos, eleições livres e justas e democracia multi-partidária, tolerância, liberdade, comércio livre, sustentabilidade ambiental e uma forte noção de solidariedade internacional.
A Internacional Liberal baseia o seu trabalho político nas resoluções adotadas no seu Congresso e no seu Comité Executivo, e em particular nos Manifestos Liberais (1947 e 1967) e no Apelo Liberal (1981). O Site de exposição sistemática é https://liberal-international.org/ ou no Brasil: https://liberal-international.org/?s=Brazil
4) Um Missionário Cristão!
A postura de um missionário cristão é assim identificada:
Respondendo, pois, à pergunta inicial que me foi sugerida por um nobre amigo em Aracaju (SE), sempre que releio este texto e produzo alguma revisão, me defino desta forma como tenho aqui descrito; e creio ser exatamente como sou, ainda que em círculos mais fechados da família, eu tenha consideráveis defeitos, tanto quanto dias de brincadeiras e de agitação; que seja bem nervoso com certas situações e não fuja de meu temperamento sanguíneo-colérico. Mas, esta face e imagem particular e íntima não é para o grande público, é para minha vida com Keyla e não me importo com as críticas do passado e nem com os invejosos e ciumentos de carteirinha, porque está escrito:
Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. (Filipenses 3:12-14).
Creio ter explicado a quem me lê, os dois lados de minha moeda psíquica (emoção/dogmática-evangélica e razão/pragmática-utilitarista), posto que, se de um lado sou, por força do próprio Pragmatismo Processual e Realista, conectado à minha verdade particular que se impõe pela aproximação firme e serena de 50 anos de vida, convicto de que no Liberalismo-Social é possível ajustarmos uma sociedade para um melhor equilíbrio econômico, jurídico e protetivo das famílias que são nossa responsabilidade coletiva; por outro lado, tenho uma contemplação absolutamente forte em minha autodefinição porque sou um Utilitarista confesso, que exige que as coisas em meu entorno tenham lógica, coerência, transparência fruto de uma identidade claramente definida.
Nisto me alinho firmemente a 35 anos com a Confissão de Fé Evangélica (Dogmatismo Evangélico), bem próximo de Westminster, ainda que me permita pontuar algo aqui e acolá com crenças muito peculiares de minha própria investigação e experiência.
Caro leitor, desta abordagem, no final de suas considerações, só poderia surgir um sujeito humano, com as fraquezas inerentes à todos nós e, por esta razão mesmo, comprometido com o que expus e, se me permitem concluir, fixado na convicção de que apenas em Deus poderei ser uma pessoa melhor, nestes termos, com que me despeço:
Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado. Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará. E ele fará sobressair a tua justiça como a luz, e o teu juízo como o meio-dia. Descansa no Senhor, e espera nele; não te indignes por causa daquele que prospera em seu caminho, por causa do homem que executa astutos intentos. Deixa a ira, e abandona o furor; não te indignes de forma alguma para fazer o mal. Porque os malfeitores serão desarraigados; mas aqueles que esperam no Senhor herdarão a terra. (Salmo 37:3-9).
Este sou eu: Professor Jean, Naturologista Clínico, Teólogo, Pedagogo e que tem um compromisso com outras áreas em que a abertura de busca de conhecimentos e concepções pragmáticas, utilitaristas, dogmáticas, evangélicas e liberais sociais, se fazem realidade pessoal.
Se este meu testemunho puder ser útil, copiado ou agregado para ajudar outros a criarem sua própria caminhada - já valeu meu esforço por explicar-me!
Agradeço a você que teve a paciência em ler!
Cordialmente,
Prof. Dr. Jean Alves Cabral