Como Entendo o Juízo Divino (Parte Investigativa)

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Eu não sou adventista do sétimo dia – defensores tradicionais da doutrina do juízo investigativo. Mas, não quero e não vou posicionar-me de modo antipático por motivo algum em tema que é definido como factual na Bíblia e para o qual lemos:

“Por isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e DO JUÍZO ETERNO”. (Hebreus 6:1-2)

Então, o que farei em apontar uma defesa desta visão?

Apresentarei considerações que não podem ser ignoradas porque são revelações claríssimas na Bíblia Sagrada.

1- Em Eclesiastes 12:14 está escrito claramente: “Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras até as que estão escondidas, quer sejam boas quer sejam más”.

2- Jesus disse em Mateus 12:36-37: “Digo-vos que toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia do juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras serás condenado”.Portanto, a ideia de que “uma investigação” se dá por óbvia e que haverá um “juízo” é fato consumado e absoluto na Bíblia. E digo “haverá” como no futuro, porque os textos são de milhares de anos antes de nosso tempo, certo? Não penso neles aqui neste momento como sendo no meu futuro, mas no futuro para aquele que os escreveu originalmente.

3- Em Daniel 7:9-10 os detalhes do referido Juízo são claramente indicados, de sorte que não há como negá-lo: “Continuei olhando, até que foram postos uns tronos e o Ancião de Dias se assentou … milhares de milhares O serviam … assentou-se O TRIBUNAL E SE ABRIRAM OS LIVROS”. – Não há como fechar os olhos para este “fato”. O ancião de Dias é obviamente “o Pai”. Se colocarmos Apocalipse 5:11 ao lado desta passagem temos com clareza que aqui há UMA CENA DE JUÍZO e os livros denotam “uma investigação” dos casos.

4- Os livros de Daniel 7:10 são efetivamente “um símbolo do método celestial de manter registros, seja ele qual for (o método)”. E Deus não precisa destes livros por haver perdido Sua onisciência, não se trata disto! Trata-se da afirmativa bíblica de que Ele vem e preside um Juízo. Ponto.

5- O que precisa ser devidamente considerado é que estes livros (a) contém registros de pensamentos, palavras e ações do povo de Deus (ver: Salmo 56:8; Malaquias 3:16; Filipenses 4:3; Apocalipse 20:12-15; 21:27); e ainda (b) estes livros foram preparados a propósito deste juízo de modo real e concreto e não mitológico (ver: Daniel 7:10; Apocalipse 20:12-15); sem falar que (c) alguns nomes serão mantidos nesses livros e outros serão removidos (ver Êxodo 32:32-33 e Salmo 69:28) – É ÓBVIO QUE HÁ UM JUÍZO DE INVESTIGAÇÃO aqui nestas passagens.

6- Mas, temos mais que isto para ter esta convicção, sem precisarmos marcar com isto a nossa dependência de uma denominação qualquer. E, é neste momento que chegamos diante de 2ª Coríntios 5:10 que nos garante: “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.” – ora, no tempo de Paulo, ele se refere a UM JUÍZO NO FUTURO e não apenas como uma aquiescência implícita ao ato de recebermos a salvação da graça. Pelo contrário, ele diz que “devemos comparecer”. Isto é tão “perturbador” que em Romanos 14:10 e 12 ele ainda vem e fecha a conta: “Tu, porém, por que julgas teu irmão? E tu, por que desprezas o teu? POIS TODOS COMPARECEREMOS PERANTE O TRIBUNAL DE DEUS. Como está escrito: por Minha vida, diz o Senhor, diante de Mim se dobrará todo joelho e toda língua dará louvores a Deus. ASSIM, POIS, CADA UM DE NÓS dará conta de si mesmo a Deus.”

7- Podemos ignorar 1ª João 2:1? Está escrito: “Temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo”. Ora, pra que um advogado se não há Juízo algum? E se é advogado, só pode ser de defesa haja vista que o sujeito do outro lado é o Acusador e isto é regra em qualquer Tribunal e não pode sê-lo diferente aqui onde o Pai é o Ancião de Dias de Daniel 7:10.

8- Não pretendo adentrar na análise “do mérito” judicativo, próprio dos Tribunais; mas, ao fato que, parece-me estranhamente agressivo em quem afirma: “não há juízo investigativo”, quando todas estas passagens e mais algumas ainda mostram exatamente o contrário. Todavia, minha defesa pessoal neste juízo investigativo antes de ser dada a sentença é que, não só me apego pela fé em passagens tais como Romanos 8:1 e 5:1, mas, em muitas outras tais como a que diz que eu devo ser achado nEle, não tendo justiça própria, que procede da Lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé”. (Filipenses 3:9) – mas, isto tem que ser usado por nosso Advogado como argumento, não?

9- O critério do julgamento, tornado minimalista em algumas interpretações parciais das Escrituras indicam uma falta de meditativa reflexão e leitura mais aprofundada sobre a temática e um certo açodamento contra a “doutrina do juízo investigativo” por ser ela defendida pela comunidade adventista que, por muitas vezes, é atacada com irritação por este ou aquele sujeito dito religioso ou espiritual, mas que, pelo próprio destempero age por impulso, eu o sei porque já fui exatamente assim. Ora, lemos claramente na Bíblia, palavras de Jesus: “ Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha” (Mateus 7:21-24) – então, eis aqui mais uma parte do critério do JUÍZO INVESTIGATIVO. Noto que nesta passagem temos (a) investigação dos atos dos sujeitos, (b) consideração mano-a-mano, (c) condenação que é proferida mesmo sendo certo que tais sujeitos tenham vivido a vida que alegam em juízo; (d) e no final da passagem vemos que a referida condenação se dá porque não havia COERÊNCIA ENTRE O QUE CRIA E FAZIA – ou seja, o indivíduo tinha / tem uma intenção maligna mesmo praticando atos positivos à luz da ética humana.

10- Em Apocalipse 14:6-7 lemos: “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas”. – Não entraremos em uma abordagem exegética detalhista desta passagem, mas para mim é claro que o “evangelho” em seu sentido mais limpo e claro passa a ser pregado historicamente/cronologicamente no incidente entre Jesus e João Batista descrito em João 3:22-36 – para mim, salvo melhor explicação, é exatamente neste momento em que “importa que Ele cresça e eu diminua” que se confirmou o que está escrito, dito por Jesus: “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele.” (Lucas 16:16). Então, vejo O JUÍZO INVESTIGATIVO COMO ALGO DINÂMICO E PERMANENTE e a conta fecha quando o sujeito morre!

Concluo, pois, esta brevíssima manifestação, como que trazendo uma positiva provocação, para a justa apreciação dos que pensam em si mesmos na fé e na graça, na justificação pela fé e na realidade do juízo que, por sua natural definição só pode sê-lo se houver:

1- Um momento do Inquérito da vida do réu;

2- Uma investigação e uma análise da realidade;

3- O destino de cada pessoa se dá mediante a sua recepção do que se determina em João 3:16-18 e 5:20,24; Romanos 5:1 e 8:1 (e outros) – mas, a realidade de um Juízo Investigativo é FATO BÍBLICO e não uma teoria inventada para acomodar esta ou aquela denominação religiosa e, neste ponto quero transcender ao adventismo do sétimo dia, onde não sou membro;

4- Eu discordarei, por exemplo, do cálculo milerita e da recontagem de tempos e mesmo da interpretação do “Santuário Celestial” feita à moda adventista – mas, que todos temos contas a acertar, isto nem de longe é possível de ser considerado e, neste ponto, sem me alongar mais do que já fiz aqui, aponto para 1ª Pedro 4:17 que assegura-nos com “solene pressão psicológica”: “Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?” – ou seja, HÁ JUÍZO INVESTIGATIVO SIM, mas não no tempo interpretativo sustentado pela dogmática adventista, pois que Pedro já diz que havia sido instaurado em seus dias nesta passagem.

Graça e paz!

Prof. Dr. Pr. Jean Alves Cabral

www.professorjean.com


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